Entrar Via

Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 709

As belas sobrancelhas de Eduarda franziram-se ligeiramente. Ela acompanhou pelo vidro do carro a entrada do parque de diversões e parecia ter uma atmosfera bem diferente do habitual.

— O que aconteceu? O parque de diversões não abriu hoje? Como é que não tem ninguém?

O motorista desceu do veículo e abriu a porta para que todos descessem. Quando o fizeram, ficaram abismados com a desolação em frente ao parque de diversões.

— Será que hoje o parque está fechado? — Evandro olhou para o motorista. — Vá até a bilheteria e pergunte o que está acontecendo.

— Certo. — Ao ouvir isso, o motorista estava prestes a sair, quando uma pessoa se aproximou ao seu lado e impediu o seu caminho.

— Não é necessário perguntar. — Disse Damiano, indo em direção de Eduarda e das outras pessoas. — Senhora, isso foi o Sr. Machado que preparou para os dois pequenos mestres.

Eduarda não compreendeu: — O que você quer dizer com...

— Sim, o Sr. Machado temia que o local ficasse cheio e as pessoas se misturassem muito, então me mandou vir e fechar o parque de diversões com antecedência.

Ao falar isso, todos sentiram que não havia nada de errado nas palavras de Damiano.

Parecia que era justificável, pois esse era o jeito de fazer as coisas.

Eduarda soltou um suspiro abafado.

Elisa comentou ao lado: — O Cícero se preocupa mesmo. Com medo que a gente corresse algum perigo, fechou o local com antecedência.

Evandro também acrescentou: — Isso mesmo, desse jeito não precisamos nos preocupar e as crianças podem brincar à vontade.

— Vamos, garotos. — Evandro bateu nas costas das duas crianças, e acompanhados de Damiano eles adentraram no parque primeiro. Encontraram alguém para acompanhá-los nas brincadeiras.

Escutou-se o ruído de um carro estacionando em uma distância não muito distante e também o barulho de seu motor sendo desligado. Cícero saiu do banco do motorista vestindo um conjunto esportivo e com os cabelos limpos sem qualquer tipo de cera de cabelo; os fios caíam sobre a testa. A sua aparência estava incrivelmente mais jovem do que a sua verdadeira idade, exalava um ar fresco e bonito.

Cícero andou apressado para a direção de Evandro e Elisa para os cumprimentar, para em seguida parar ao lado de Eduarda.

— Vamos entrar — Cícero propôs —, e dar uma olhada nas crianças.

Eduarda confirmou com um meneio de cabeça.

Os motores do equipamento ligaram, no grande carrossel uma enxurrada de vozes divertidas cercaram eles por toda parte.

Dada a idade das crianças, essa era a hora de se aproveitarem de tal coisa. Evandro era um senhor de seus quarenta anos e as brincadeiras voltadas para adolescentes ou meninos pequenos como aquele não exerciam atração alguma sobre ele. Elisa o caçoava à sua volta em harmonia ao passo que atiçava a garotada com gracinhas.

— Está achando ruim? — ecoou a voz indagadora de Cícero ao pé da orelha de Eduarda — Pelo visto não gosta da experiência; quer tentar em outro lugar?

Sem emitir palavras, Eduarda calou-se.

Para ela, aquilo não lhe causava desgosto, mas sim, uma completa sensação de novidade.

As idas ao parque de diversões ainda eram um fato sem procedentes na jornada que viveu até então.

Quando ainda era uma menininha, os recursos financeiros do seu ninho nunca se deram favoráveis, e mesmo que conseguissem bancar um ingresso com os trocados que tivessem, Teresa Amorim favorecia apenas os desejos de diversão de Givaldo Barbosa e repudiava qualquer pedido da pequena porque, no coração dela, só havia um espaço especial para o moleque, mas não para a guria. Ainda se recebesse o cachê por um papel nas novelas infantis, as idas para essas praças eram um esbanjamento que lhe doía no coração.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes