— Encrenca nenhuma, e por acaso eu teria medo dela? É só uma mulher, não vai arrumar nada!
Ao ouvir isso, Eduarda simplesmente sorriu, como se tivesse ouvido uma piada.
Carina se intrometeu e disse:
— Calem a boca! Vocês vieram hoje para visitar o meu avô, e não para brigar com a minha cunhada. Quero que saibam que a Eduarda será para sempre a minha cunhada, ela faz parte da família Machado. Não cabe a vocês, os parentes distantes, ficarem falando essas coisas!
Carina pegou a mão de Eduarda e disse: — Vamos, Eduarda, não ligue para o que essas pessoas dizem, vamos embora.
— Obrigada. — Eduarda achou que a essência de Carina era muito boa, ou ao menos diferente daqueles que se aproveitavam da situação para humilhar os outros.
— De nada.
— Por favor, abram espaço aí embaixo!
Todos voltaram a atenção para a voz vinda da escada.
Algumas pessoas de jalecos brancos começaram a descer. Do outro lado, ouviram o sino do elevador e as portas se abriram, revelando Adilson deitado em uma maca sendo empurrado para fora. Cícero o seguia com uma expressão pesada e preocupada.
Cícero avistou Eduarda, mas não teve tempo de dizer nada. Os dois apenas trocaram um olhar antes de ele se apressar, acompanhando o veículo.
Ao verem isso, todos deram espaço para os médicos levarem a maca rapidamente até a ambulância na porta.
A comoção deixou todos sem palavras até que a ambulância sumiu de vista. O salão do andar térreo então virou um caos de conversas e especulações flutuando no ar.
Carina começou a se preocupar, com o belo rosto contraído: — Eduarda, acha que algo de ruim vai acontecer com o meu avô?
— Vai ficar tudo bem. Pessoas boas têm a bênção divina.
Eduarda disse isso apenas para confortá-la, mas também sentia que algo estava para acontecer.
Ela segurou o corpo trêmulo de Carina.
— Você pode ir ao hospital comigo, Eduarda?
Carina estava tão assustada que não conseguia se manter em pé. Eduarda não teve coragem de deixá-la ir sozinha para o hospital daquele jeito, com medo de que o avô de Carina acabasse bem, mas ela tivesse algum problema.
Eduarda solicitou um carro da Praia Dourada e levou Carina ao hospital.
No Hospital Global Machado, em frente à sala de emergência da Ala VIP.
Assim que Eduarda saiu do elevador e virou o corredor, viu Cícero com uma das mãos na cintura e a outra na testa, andando de um lado para o outro na frente da porta da emergência, como um leopardo perdido. Era um pânico que ela nunca vira nele.
Ao ver o estado dele, Eduarda pôde imaginar a gravidade da situação de Adilson.
Cícero olhou para ela com os olhos ainda marejados por lágrimas instintivas causadas pela dor visceral.
Um homem que nunca temia nada estava demonstrando todo o seu medo e preocupação.
Eduarda continuou sentindo pena dele e suspirou outra vez.
— Sim, eu estou aqui.
Eduarda deu-lhe um sorriso caloroso, tentando transmitir o máximo de conforto.
Naquele momento, todo o passado entre eles, os amores e ódios entrelaçados, parecia ter desaparecido. Restavam apenas duas pessoas diante da vida e da morte.
Eduarda não fez comentários ríspidos. Muito calma, ficou ao lado dele e ofereceu a confiança de que ele precisava diante da incerteza.
Cícero também não tentou contato físico. Quando se olharam, ele pareceu encontrar consolo. De forma inaudível, falou apenas duas palavras.
— Obrigado.
Obrigado por não me deixar sozinho numa hora dessas.
Eu entendi o que vi nos seus olhos. Foi compaixão. É a coisa mais pura do mundo.

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