— Posso saber qual é o motivo urgente deste encontro, Sr. Machado? Como está a saúde do patriarca da sua família?
— Agradeço a preocupação. O estado do meu avô está estabilizado — respondeu Cícero.
Às três da manhã, Damiano Villar enviou a mensagem avisando que o Sr. Adilson havia saído do estado crítico e seria transferido para uma suíte VIP do hospital, para continuar em observação.
— Em relação ao nosso encontro, Sr. Barbosa, é a minha esposa quem tem um assunto muito importante a tratar com o senhor.
Cícero não perdeu tempo com conversas fiadas e passou a palavra para Eduarda.
Ele olhou para ela e sussurrou em seu ouvido:
— Conte a ele. Fique tranquila, eu estou aqui.
A fala de Cícero, claro, chegou aos ouvidos de Augusto.
Augusto interveio:
— Sra. Machado, pode falar abertamente. Se eu vim, foi para me sentar e ouvi-la.
Eduarda hesitou por um momento, pensando por onde começar. Mas ela se sentia perdida; não tinha nenhuma lembrança sobre os Barbosa da elite de Porto de Safira e, por isso, não sabia o que falar.
— Sr. Barbosa, o que eu vou dizer pode soar ofensivo, ou talvez o senhor ache que estou falando bobagens. — Eduarda fez uma pausa e continuou: — A família Barbosa perdeu alguém há muitos anos? Uma mulher.
Enquanto Eduarda e Cícero esperavam, Augusto deu uma leve risada. Mas não foi um sorriso genuíno; carregava um traço quase imperceptível de cansaço e impaciência.
A voz de Augusto estava muito fria e distante:
— A Sra. Machado não vai me dizer que encontrou essa pessoa, vai?
A calma e a aparente falta de interesse dele pegaram Eduarda e Cícero de surpresa.
Cícero chegou a duvidar de que o famoso Augusto, que supostamente vivia procurando alguém, sequer existisse. Talvez fosse apenas mais um boato inventado para aumentar a aura de mistério ao redor dele.
Eduarda ficou atônita por um instante, mas logo respondeu:
— Sim. Eu tenho uma pista.
— Sr. Machado, se não há mais nada a tratar, eu me retiro. Da próxima vez, não usem o nome da minha família. Não gosto que alguém se passe por ela.
O rosto dele assumiu uma rigidez assustadora, deixando suas feições afiadas com uma expressão implacável.
— Espere. — Mal Augusto se levantou, foi parado por Eduarda.
— A senhora tem mais alguma coisa a dizer? — Ele se virou, ainda sem conseguir ocultar o ódio no olhar.
Eduarda notou as últimas palavras dele. Eram um aviso, mas também um forte senso de proteção, mostrando que ele não tolerava a violação de algo precioso. Augusto não era indiferente à sua irmã. Na verdade, ele importava-se profundamente com ela; tanto que ficava furioso quando tentavam se aproveitar de seu nome. O desespero diante de falsas pistas só o tornava mais duro, mas sem perder a esperança.
— Eu tenho uma pista da sua irmã. Só não tinha certeza, por isso menti sobre a idade. Mas a idade dela bate com a da sua irmã.
Ele virou-se novamente, sem mudar de expressão, mas Eduarda conseguiu ver a expectativa ardendo em seus olhos.
— Onde ela está agora? Pode me levar até ela? — ele perguntou, mostrando que o fogo da busca por sua irmã continuava bem aceso.
Contudo, dessa vez, Eduarda não aceitou na mesma hora.

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