— Carina, muitas coisas não são como você imagina, especialmente entre nós dois. Eu estou cansada, não tenho mais nenhum interesse nele, e ele vai ter que aceitar isso mais cedo ou mais tarde.
— É só uma questão de tempo.
Carina não sabia mais o que dizer, mas ela realmente queria que Eduarda o ajudasse.
— Cunhada! Eu te imploro! A saúde do vovô está muito frágil, e o tio Roberto, junto com o resto da família Machado, está de olho no controle do Grupo e dos negócios. Se eles souberem que o meu primo não está acordando, vão aproveitar esse tempo para agir. Nós simplesmente não conseguimos sem ele.
Eduarda suspirou: — Carina, isso é apenas um problema interno da família Machado, e eu já não faço mais parte da família.
A recusa de Eduarda deixou Carina sem ação. Por coincidência, o telefone da Praia Dourada tocou na mesma hora, e ela só pôde inventar ao avô que Cícero estava bem e fazendo tratamento naquele instante para ganhar tempo.
Mas não se esconde o sol com a peneira. Carina sabia que não poderia mentir por muito mais tempo, o avô logo descobriria.
— Desculpe incomodar hoje, cunhada. Se for possível, eu ainda espero que você vá ver o meu primo. Ouvindo a sua voz, ele com certeza vai melhorar rápido. Eu já vou.
Carina limpou as lágrimas, virou as costas e foi embora do estúdio.
Eduarda ficou muito tempo em pé sozinha, embaixo de uma árvore no pátio. Na verdade, ela não estava pensando em nada, apenas deixando a mente divagar por um bom tempo.
Ela devia mesmo ir ao hospital ver Cícero?
Mas, para quê? Que necessidade havia de ir vê-lo?
Toda vez que se fazia essa pergunta, lembrava-se do último momento em que o tinha visto, com os olhos vermelhos e desesperados. Uma imagem tão dolorosa e arrasadora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes