— Entre marido e mulher sempre há coisas que você, um estranho, não entenderia, e você não tem o direito de me dar lições.
Cícero não queria discutir sobre aquilo com Franklin.
Cícero acrescentou: — Eduarda, eu não estou te dizendo essas coisas para você ter pena de mim, mas porque eu quero te libertar desse peso no coração. O médico disse que o que está afetando a sua mente são fatores psicológicos e que eles construíram esse mecanismo de autodefesa. Isso quer dizer que o seu problema no coração não sarou. Eu não quero que continue a viver desse jeito. E, se ele foi causado por mim, espero que eu possa compensá-la e curá-la.
— Você está disposta a aceitar a minha sugestão?
Aquela pergunta de Cícero era completamente sincera e do fundo de seu coração, e ele ansiava desesperadamente que Eduarda dissesse "sim".
Contudo, ela não fez nenhum movimento, nem sequer uma expressão no rosto, mesmo diante da intensa discussão entre eles.
— Diga alguma coisa, por favor, Eduarda, me deixe saber o que está pensando...
Cícero tinha realmente medo de que Eduarda dissesse não para ele, mas ao mesmo tempo estava ansioso pela aprovação dela.
Eduarda finalmente falou, dizendo: — Agora não é o momento para falar sobre isso. Nós temos coisas muito mais urgentes e importantes com o que lidar. Eu não quero perder a calma em um momento como este.
Não era como se as palavras dele de antes não tivessem provocado nela alguma emoção.
Ela apenas não havia esquecido o que Damiano lhe informara.
— Damiano, eu falei para não deixar a Eduarda descobrir sobre esses problemas aborrecidos. Você não obedece as minhas palavras?
Damiano se aproximou, cheio de remorso, dizendo: — Sr. Machado, eu sei que agi de maneira errada desta vez, mas não tem como esconder tudo da senhora nesse tipo de situação. — Damiano hesitou antes de continuar. — Se você não diz nada, a senhora não sabe. E, não sabendo, como ela pode sentir o que você tem feito por ela?
Na verdade, Damiano sempre tivera algumas dúvidas de por que, já que Cícero estava genuinamente arrependido e vinha pagando pela segurança de Eduarda em silêncio por trás dos bastidores o tempo todo, ele continuava em silêncio absoluto. Isso só tornava as coisas piores e a situação ainda mais mal-entendida entre os dois.
Acaso não era melhor falar?
O rosto de Cícero ficou sombrio: — Em assuntos externos, é o dever de um homem resolvê-los sozinho para que a sua própria família não seja atormentada. Você diz isso agora porque quer fazer a minha mulher saber e deixá-la preocupada também, Damiano?

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