Damiano apressou-se a se adiantar para deter Cícero:
— Sr. Machado, agora não é hora para brincadeiras. O médico disse que ainda precisa ser observado por alguns dias. O senhor não pode agir com imprudência. Nós temos pessoas zelando pela senhora, não haverá nenhum problema.
Damiano tinha muito receio de que Cícero, por descuido, acabasse se machucando de novo.
— Estou preocupado que ela não consiga lidar com tudo sozinha. — Cícero insistia em tentar sair da cama.
Damiano fez de tudo para bloqueá-lo:
— Sr. Machado, tenha um pouco de fé na senhora, ela é perfeitamente capaz. Se o senhor for para lá, quem sabe ela ainda fique brava com o senhor. E tenho certeza que o senhor não iria querer que a senhora se irritasse.
Como o esperado, essa frase funcionou melhor que qualquer outra coisa para Cícero. Ele parou de se debater na mesma hora:
— A Eduarda ficaria brava por causa disso?
— Com certeza. Pense bem: a senhora só foi ao grupo para substituí-lo porque o senhor estava doente. Se o senhor estivesse curado, a senhora provavelmente não ia querer continuar ajudando. E se ela descobrir que o senhor foi para lá mesmo antes de estar curado, é muito provável que fique mais enfurecida ainda.
Cícero anuiu:
— Faz sentido. Vou esperar mais alguns dias.
— A propósito, Sr. Machado. O administrador da casa telefonou dizendo que o jovem mestre queria ver o senhor e a senhora. Usei a desculpa de que os dois viajaram a negócios, mas creio que não poderei ocultar a verdade por muito mais tempo. O senhor gostaria de retornar a ligação do jovem mestre?
— Sim. Traga o meu celular.
Damiano aproveitou e iniciou uma chamada de vídeo. O celular tocou um pouco antes de ser rapidamente atendido do outro lado.
— Senhor, é o senhor? — Do outro lado da linha, o administrador perguntou com urgência. — O pequeno Arthur está tomando banho no momento, mas já vai sair.
Cícero respondeu:
— Está bem. Quando o Arthur sair, ligue de volta. E diga que estou em viagem de negócios, por isso, não poderei voltar para casa por enquanto. Tente não deixá-lo pensando demais.
O administrador prontamente concordou, e a ligação foi cortada.
Não muito tempo depois, houve uma ligação de volta, e a voz de Arthur logo soou.
— Papai! Papai!
Do seu lado, Cícero ouviu e respondeu:
— Arthur, o papai está aqui.
— Então, quando você voltar, me traz um presente, papai?
— Sem problemas. — Cícero concordou. — Pode falar para o Sr. Damiano o que você quer.
Assim que desligou, Cícero ligou para Eduarda. Dessa vez, ela atendeu muito rápido.
— O que foi? — A voz fria de Eduarda soou do outro lado da linha.
Cícero disse:
— Acabei de falar no telefone com o Arthur. Ele sente a sua falta.
Eduarda fez um murmúrio em confirmação, hesitou e, então, perguntou:
— Ele sente a minha falta, então por que está me ligando?
Cícero obviamente tinha uma segunda intenção ao fazer aquilo, que era exatamente a de satisfazer a si mesmo.
Ele disse suavemente:
— Porque eu também sinto a sua falta.

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