Roberto não se conformava que Cícero fosse ficar com tudo. Ele havia planejado arduamente e, ainda assim, não era páreo para o direito de sucessão que corria no sangue de Cícero. Como ele poderia aceitar aquilo?
— O senhor tem um testamento? Como isso é possível? — perguntou o Dr. Fontes. — O velho Presidente Adilson confiou apenas a mim as questões legais da sucessão de seu testamento. Se o senhor tem algum documento, por favor, me mostre.
Encurralado, Roberto não teve escolha a não ser apresentar o testamento, declarando com tom justo e severo: — Este sim é o verdadeiro e último testamento assinado pelo meu pai. Ele não passou as ações para o Cícero, ele as deu para mim!
O Dr. Fontes pegou o documento e começou a examiná-lo.
— Cícero, você realmente achou que conseguiria colocar as mãos em tudo que é da família Machado? Aquilo não pertence a você! Eu sou o novo Presidente do Grupo Machado!
Os membros mais velhos da família, que antes haviam ficado contrariados ao ouvir que Cícero seria o Presidente — afinal, ninguém queria ser comandado por alguém mais jovem —, soltaram um suspiro de alívio ao saber que seria Roberto o Presidente, pois, no mínimo, a imagem deles seria preservada.
Cícero manteve-se calado, e essa postura tranquila só fez Roberto começar a desconfiar.
Logo em seguida, o Dr. Fontes se pronunciou, e o ar triunfante que Roberto exibia até momentos atrás foi bruscamente esmagado.
— Peço desculpas aos dois senhores, mas este testamento do Sr. Roberto não tem validade legal. O único documento válido é este que tenho em mãos.

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