Aquele soco letal na direção de Roberto não chegou a ser desferido, pois todos os movimentos de Cícero congelaram em um instante.
O Lobo Alfa em fúria exibia presas e garras que causariam terror a qualquer um, e quase ninguém ousaria tocá-lo, mas um pequeno e inocente cervo teve a coragem de se colocar à frente dele.
Não por outro motivo, mas para impedir que o Lobo Alfa tomasse uma atitude que machucasse a si mesmo.
O cervo era medroso, mas teve a coragem de ser bravo naquele instante.
— Não! Não faça isso! Cícero...
Eduarda saiu de trás dele, estendeu a mão por trás da sua figura alta e segurou firmemente a manga de sua camisa.
— Tudo já passou, tudo isso ficou no passado. Não deixe que ele te provoque. Já passou, tenta se acalmar, por favor.
As palavras de Eduarda agiram como um poderoso tranquilizante. De fato, Cícero deixou de agir por impulso e seu punho não desceu.
Roberto olhou para a atitude dele com deboche: — Olha só o inútil que você é! Cícero! Por causa de uma mulher, nem consegue vingar a morte dos próprios pais. Como você é um frouxo! A morte dos seus pais foi em vão, porque alguém que nem tem coragem de dar o golpe final num inimigo não merece ter pais!
A ira de Cícero, que havia sido controlada há pouco, voltou a inflamar-se.
Ninguém suportaria uma provocação maldosa daquelas. Ele fechou os punhos mais uma vez e tentou se livrar do bloqueio levíssimo de Eduarda.
— Vem! Bate! Me mata e vinga seus pais! Vamos todos juntos para o inferno!
O punho ensanguentado investiu novamente contra aquele rosto demoníaco.
Porém, no momento seguinte, Cícero não sentiu o impacto sangrento e destrutivo que esperava.
Um abraço caloroso e macio envolveu-o de frente.
Ele quase pôde sentir o tremor da pessoa em seus braços, um tremor muito mais forte que o seu.


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