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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 873

No momento em que as duas mãozinhas se seguraram firmemente, a vida de ambos se uniu em uma só.

As ondas trouxeram de volta os segredos do passado e aquelas memórias. As duas mãos entrelaçadas agora pertenciam a adultos, mas debaixo d'água gélida, havia dois corações pulsando calorosamente.

Enquanto o calor de seus corpos evaporava numa velocidade assustadora, a vida escorria por entre os dedos. Em seus últimos suspiros, eles abriram os olhos e encararam um ao outro.

No fim, de mãos atadas, sorriram um para o outro em meio ao pesadelo. Um sorriso totalmente surreal. Totalmente sem energia, a água os escondeu, engolindo os dois num escuro e profundo abismo.

O sonho.

Um vasto vazio branco, cheio de fragmentos de sonhos.

Aos seis anos, um pequeno gato de rua miando, recuando amedrontado ao balançar as garras; aos dez, recebera um vestido novo de renda. Aos doze, a menina sob os ensinamentos de um mestre era coroada com talento nato para o design. Aos dezoito, recém-adulta, andava no encalço de Cícero, torcendo por ele. Aos vinte e um, amou com todas as suas forças e se casou com ele. Aos vinte e seis, em prantos e com o coração despedaçado, ela experimentou a desgraça do divórcio. E então, aos vinte e sete, o divórcio se consolidou e o acidente a colocou em coma.

Tanto sofrimento nos sonhos finalmente pareceu desaparecer.

Tendo cruzado o caminho de tantas pessoas más, no ano que beirava seus vinte e oito anos, Eduarda conhecera pessoas boas, reiniciou do zero sua vida amnésica. E um fio de amor reconectou-se a ela. Eduarda foi abençoada, agraciada por muito amor e muitas pessoas ao seu redor. Aos poucos, encontrou a felicidade e também o amor verdadeiro há tanto tempo deixado para trás...

— Eduarda! Acorda! Consegue acordar? Pare de me assustar, por favor...

— Eduarda, sou eu, o seu irmão. Acorde, a família Barbosa precisa de você.

— Eduarda, não durma mais. Você precisa acordar!

— Ember, aguente firme, todos estão esperando por você.

Ao ouvir tantas pessoas a chamando, Eduarda mexeu seus dedos e as luzes dos monitores mostraram que sua pulsação acelerou de forma drástica. Devagarzinho, ela abriu os olhos.

— Ela acordou! A Eduarda acordou! Doutor! Chama o doutor agora!

Ao abrir os olhos, ela encontrou muitos de seus parentes mais próximos lhe encarando com profunda preocupação.

No entanto, no meio deles, faltava aquele rosto querido, da pessoa que gravara tantas memórias dentro do seu coração.

— ... Certo, farei o que você pede.

A moça então abriu um sorriso, mas de repente parou por um minuto. Muitas memórias estavam se materializando simultaneamente de uma só vez, aquelas memórias guardadas e não vistas por tanto tempo.

— Irmão... você encontrou o Cícero? Ele, ele também estava lá... Uma pessoa nos atacou com uma faca, que estava prestes a me acertar, mas ele entrou na minha frente. Onde ele está agora? Ele está bem?

Ele evitou o seu olhar por um tempo e virou-se para outro canto.

Tentando desviar e evitar a pergunta por ser muito difícil. Era evidente que a sua atitude e o seu comportamento davam as respostas antes mesmo que pudessem abrir a boca.

— Irmão, conte a verdade. Ele... ele... já... — Uma faca fincada em seu coração. Todos conheciam as consequências e os medos terríveis dessas ações. — O que houve com ele, irmão? Diga-me, por favor!

— Eduarda, você ainda precisa de repouso. Cuide de si primeiro e não pergunte sobre isso no momento.

— Irmão! Por favor! Me diga as consequências de tudo isso. Não importa como e quando, por favor, me fale tudo. Eu sei que ele sofreu todas aquelas feridas e machucados no peito por minha causa. Eu não posso fingir que está tudo bem. Por favor, irmão, me fala!

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