Cícero jamais ousaria irritá-la:
— Só vim ver a Eduarda, quero saber se ela está bem.
Pérola respondeu:
— Sem você, ela está ótima. Vai embora logo, vai!
Sem escolha, Cícero afastou o carro, mas, assim que Pérola não estava por perto, ele voltou a estacionar, apenas para esperar Eduarda sair.
Ao ver Eduarda rindo e conversando com os colegas, o coração de Cícero se encheu de uma sensação de completude.
Enquanto pudesse vê-la, ele já estaria satisfeito.
Mas logo essa satisfação foi substituída por um desejo insaciável. Depois de conseguir um punhado de água, ele queria um lago; depois de conseguir um lago, ele desejava o mar inteiro. Sem ter Eduarda por completo, ele nunca estaria satisfeito.
Naquele dia, depois que o novo projeto de design de Eduarda terminou, Cícero estava lá embaixo de novo, segurando flores e esperando por ela.
— Eduarda, tem um tempinho? Quero te dar um presente.
Cícero entregava presentes para ela quase todos os dias, parecendo não se cansar disso. Mesmo quando Eduarda fazia cara de poucos amigos e pedia para ele parar, ele não dava ouvidos e continuava vasculhando o mundo atrás de itens preciosos para enviar a ela. Só a sala de descanso da empresa já parecia um galpão lotado de presentes dele.
Depois de perceber que não adiantava tentar impedi-lo, Eduarda simplesmente o deixou fazer o que quisesse. Contanto que não atrapalhasse seu trabalho e sua vida, ela não se importava muito com as ações dele.
— Vem ver. Entra no meu carro, eu te levo. Tenho certeza que você vai gostar.
Hoje, por algum motivo, Cícero estava especialmente insistente e grudento.
Ao entrar no carro, Eduarda observou a paisagem da cidade passando rapidamente e se distanciando. Ela percebeu para onde Cícero a estava levando — o lugar onde o destino dos dois se entrelaçou, aquela praia.
A praia que, no passado, todos achavam que Cícero havia cercado especialmente para Weleska, na verdade era uma prova de amor preservada apenas para ela.
A praia que antes era desolada, hoje estava maravilhosamente decorada.
Um vasto mar de inúmeras rosas em tons de rosa e branco forrava a areia, conectando-se com a água do mar. Balões, fitas e champanhe davam um ar extremamente romântico ao lugar, e a névoa rosada ao entardecer parecia saída de uma pintura, completamente diferente das lembranças aterrorizantes do passado.
Ele queria pintar uma nova memória, cobrindo as antigas.
Eduarda entendeu que Cícero estava fazendo o impossível para curar as feridas do seu coração e ajudá-la a recuperar aqueles sorrisos.
Cícero levou Eduarda para o centro do mar de flores e tirou uma foto antiga do bolso.
— Eduarda, case-se comigo de novo. Me deixe amá-la direito desta vez. Agora eu vou te valorizar e nunca mais permitirei que fique triste.
Uma promessa comovente, um cenário lindo, e um homem bonito e profundamente apaixonado.
Algo que antes ela mal conseguia imaginar em seus sonhos, agora estava bem diante de seus olhos.
Depois de suportar tantas tristezas e derramar tantas lágrimas, ela estava, finalmente, sendo bem amada por Cícero.
Eduarda piscou, sentindo a ponta do nariz formigar, enquanto o homem à sua frente aguardava por sua resposta.
Independentemente do que acontecesse, muitos anos no futuro, aquele momento ficaria gravado no cerne de suas memórias, irradiando uma luz cor-de-rosa.
O som das ondas se misturava à brisa marítima úmida, trazendo o perfume das rosas misturado ao leve toque salgado do mar, fazendo com que sua mente se esvaziasse de preocupações.
Eduarda ergueu os olhos enquanto a cortina da noite se abria. Ao lado da pálida lua, uma estrela cintilante brilhava, ficando cada vez mais forte.
A estrela outrora empoeirada brilhava mais uma vez sobre montanhas e mares.
Como se dissesse: obrigado por nunca desistir de buscar a felicidade. Agora, se você quiser, a felicidade já é sua.

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