Augusto não tentou esconder e assentiu.
— Sr. Barbosa, o senhor está sendo um canalha!
Pérola quis pular da cama, mas percebeu que não estava vestindo nada, completamente nua. Não era à toa que Augusto a encarava há tanto tempo!
— Onde estão as minhas roupas?
— Rasgadas.
— ... E o roupão?
— Rasgado também.
Linhas pretas surgiram na testa de Pérola: — Suspeito seriamente que você está se vingando de mim.
Augusto não entendeu.
— Qual é a sua de rasgar todas as roupas de uma estilista de moda?
— Coincidência.
— Haha, acha que eu acredito nisso?
Augusto parou de discutir com ela e colocou a comida na mesa de cabeceira: — Quer que eu te dê na boca?
— Eu mesma como.
— Tudo bem, pode comer sozinha.
— Primeiro me arrume uma roupa — Pérola puxou a coberta com cautela. — Vou ao banheiro.
Augusto puxou o próprio roupão: — Vista o meu, eu te carrego até lá.
— Por quê? Eu não quero ser carregada.
Pérola, encolhida sob as cobertas, vestiu o roupão e jurou descer da cama sozinha, mas assim que o pé tocou o chão, uma dor latejante e indizível a fez quase cair de joelhos.
Felizmente, um braço forte a segurou pela cintura a tempo.
— Eu te disse, você não consegue andar direito agora — Augusto disse.
Pérola o encarou, embora o olhar não tivesse força nenhuma, parecendo mais um charme aos olhos de Augusto.
— E de quem o Sr. Barbosa acha que é a culpa de eu não conseguir ficar de pé?
O culpado não se importou, pegou seu corpo macio nos braços e a colocou no banheiro.
As roupas rasgadas ainda estavam lá; Pérola cobriu os olhos ao vê-las.
Era bom nem olhar.
Seu pé moveu algo; pisou no botão arrancado da camisa de Augusto.
Quem o arrancou? Teria sido ela? Ela também estava tão faminta assim...?

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