— Pérola, onde vocês estão agora? O Jaime veio te procurar na nossa casa.
Quando Pérola ouviu a mensagem de voz de Camila, já estava sentada no banco de trás do carro voltando para casa. Augusto a observava pelo retrovisor interno.
Pérola não estava mais relaxada nem exibia sorrisos.
Ela enviou um áudio em resposta a Camila:
— Não digam nada a ele por enquanto. Façam o papai e a mamãe irem para o quarto. Eu chego em um minuto, deixe comigo.
Camila respondeu com um "Ok".
Pérola apertou tanto o celular que as articulações dos dedos ficaram brancas.
Percebendo sua preocupação, Augusto tentou confortá-la:
— Não se preocupe, nada de mal vai acontecer na sua casa.
Mas, mesmo com as palavras de Augusto, Pérola não conseguia se acalmar.
Sua família ainda não sabia o que havia acontecido entre ela e Jaime. Se seus pais descobrissem que ela havia passado por tamanho sofrimento nas mãos dele, com o jeito superprotetor que tinham, com certeza armariam um grande escândalo.
Ela não queria que isso acontecesse. Não queria de jeito nenhum. Só desejava cortar laços definitivamente com o passado e nunca mais ter Jaime em sua vida.
Até Dudu percebeu que algo estava errado e ficava se esfregando nela.
Pérola olhou para baixo e viu a cabeça de Dudu roçando em seu peito, sabendo que ele estava tentando confortá-la. Ela forçou um sorriso e acariciou os cabelos macios dele.
Dudu, ainda inquieto em seus braços, espiou furtivamente para Augusto no banco da frente, esperando que o Tio Augusto pudesse convencer a tia a sorrir de novo, do jeito que havia sorrido no restaurante tirando foto.
Augusto dirigiu rapidamente até a mansão dos Barbosa. Pérola desceu do carro com tanta pressa que quase tropeçou, mas felizmente Augusto a segurou a tempo.
— Não se preocupe. Comigo aqui, não deixarei nada acontecer na sua casa.

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