A respiração de Ethan Mitchell ficou curta, suas costas ligeiramente curvadas.
Mas suas mãos, apoiadas na beirada da cama, se fecharam com ainda mais força, como se ele estivesse segurando algo dentro de si com todas as forças.
Clara Bennett lançou um olhar frio para ele e então se levantou para sair.
Quando chegou à porta, porém, ela fez uma pausa e olhou por cima do ombro.
O coração de Ethan falhou uma batida. Então… talvez, lá no fundo, ela ainda tivesse um mínimo de hesitação?
Ele não pôde evitar a esperança — se Clara voltasse atrás no que acabara de dizer, talvez ele pudesse fingir que nada daquilo tinha acontecido.
“Ethan Mitchell, eu sei que você está ocupado com o trabalho. Você não precisa mais sair do seu caminho para me buscar. Vamos parar de perder tempo.”
Todo o calor desapareceu dos olhos de Ethan.
Era isso que ela tinha para dizer?
Engraçado como ele já desejou ouvir essas palavras, mas agora que elas finalmente foram ditas, bateram nele como um soco no estômago.
Cada palavra de Clara era como uma lâmina o cortando por dentro.
Ele cerrou os dentes, lutando para se manter firme enquanto as emoções explodiam por trás dos olhos como uma tempestade.
Quando voltou a erguer o olhar, seu rosto já estava completamente impassível.
“Foi você quem disse.”
Ele ficou na frente dela, bloqueando a porta como um garoto fazendo birra. “Não volte rastejando.”
Rastejar de volta?
A única coisa de que Clara se arrependia era de ter dito sim a Ethan um dia.
Se ela soubesse que terminaria assim — como estranhos caminhando em linhas paralelas — talvez tivesse sido melhor nunca começar.
“Fica tranquilo, eu não vou.”
O tom dela era firme, irredutível. “Pensei bem antes de dizer isso.”
Ela parecia segura, mas em seus olhos — só por um breve instante — havia um traço de tristeza que traía o que realmente sentia.
Arrependimento? Claro que ela tinha pensado nisso. Só não queria se prender a ele.
Arrependimento não podia ser motivo para ficar.
Caso contrário, estaria presa a Ethan para sempre, presa nessa vida caótica que ela não aguentava mais nenhum segundo.
Clara deixou tudo muito claro e tentou passar por ele, mas Ethan não se moveu.
“O que mais você quer?”
Clara franziu a testa, claramente no limite da paciência.
Ethan inclinou levemente a cabeça, os olhos escuros frios e firmes. Os lábios pressionados em uma linha rígida, a tensão no rosto mal conseguindo conter a tempestade que ele segurava. Um lampejo de perigo passou pelo olhar dele.
“Você é fria, Clara. Mais fria do que eu imaginava.”
Ela deu uma risada seca. Ele chamando ela de impiedosa? Essa era boa.
Ethan não fazia a menor ideia do que impiedoso realmente significava.Aproveitando a distração dela, Ethan segurou seu pulso e a puxou em direção à porta.
Clara resistiu o caminho inteiro, sem querer estender ainda mais aquela discussão exaustiva.
“O que você está fazendo? Me solta! Eu já deixei tudo claro. Que parte você não entendeu?”
Ethan não respondeu, mas apertou ainda mais.
O braço dela ficou vermelho com a força — ardia pra valer.
“Você enlouqueceu, Ethan? Me solta, ou eu juro que—”
“Ou o quê?”
Ele puxou de novo, e Clara tropeçou para trás, batendo na parede.
Ele se inclinou, o fôlego quente contra o ouvido dela. “Enquanto não tiver papel de divórcio assinado, a gente continua casado. Você ainda é minha esposa. Isso significa que esse é o papel que você tem que cumprir.”
Ethan ficou parado, em silêncio, com o peito apertando como se estivesse sendo arrastado para debaixo d’água, sem nenhum ar por perto.
Então ela realmente estava pronta para acabar com tudo, é? Nem queria esperar ou fingir mais. Queria ir embora—desesperadamente.
Eles chegaram ao shopping pouco tempo depois.
Clara ainda não fazia ideia do que supostamente deveriam comprar, mas como Ethan insistiu, ela apenas acompanhou. Pelo menos podia esticar as pernas depois de um dia longo.
Eles vagaram pelo shopping por um tempo, mas tudo por onde passavam—joias, roupas, bolsas—não tinha absolutamente nada a ver com uma festa corporativa.
Clara estava exausta do trabalho e não tinha paciência para ficar andando sem rumo. Estava prestes a dizer algo quando Ethan, de repente, a puxou para dentro de uma loja.
"Por que você está me trazendo aqui?", ela perguntou, olhando ao redor para as araras de roupas descoladas, sem o menor interesse.
Ela trabalhava em hospital. Não tinha a menor chance de usar aquelas coisas lá. E nos dias de folga, tudo o que queria era descansar, não brincar de se arrumar.
Para ela, aquelas roupas eram bonitas, claro—mas totalmente impráticas.
Ethan nem se deu ao trabalho de responder. Só a puxou em direção ao provador. "Vai experimentar."
Clara analisou as peças e parou—alguns dos estilos eram estranhamente familiares.
É. Era exatamente o tipo de roupa que Lily gostava de usar.
Então era esse o tipo de situação, né? Fazer ela experimentar, comprar o que ficasse bom e depois presentear a Lily. Bem esperto.
Fazia sentido. Ethan nunca tinha comprado nada para ela antes—não seria agora, depois de tantos anos, que começaria.
"Eu não tenho o mesmo tamanho nem o mesmo estilo da Lily. As coisas de que eu gosto, ela provavelmente nem olha. Então talvez seja melhor trazer ela aqui para escolher sozinha da próxima vez."
As pupilas de Ethan se estreitaram um pouco, um lampejo de confusão passando por seus olhos.
"Mas olha, você tem bom gosto. Eu gosto dessa marca também. Só compro raramente porque não tenho onde usar. Não vale a pena gastar dinheiro à toa."
Clara lembrou que tinha um vestido dessa marca, enfiado no fundo do armário. Só usava em eventos realmente formais; fora isso, ele ficava lá parado, provavelmente cheio de poeira agora.
Ethan cerrava e abria as mãos, repetidamente. Abriu a boca algumas vezes para dizer algo—mas, no fim, não disse nada.

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