Ao ver Deise se levantar e tentar caminhar para fora do escritório, Victória acrescentou em tom autoritário:
— Os contratos já foram todos assinados. Você acha que adianta alguma coisa ir até lá agora?
Deise virou o rosto, e em seus olhos refletia-se o sorriso zombeteiro e gélido de Victória.
Victória imaginava que Deise passaria a vida inteira como arquivista no Centro de Saúde Marques!
Não esperava que Deise tivesse tanta habilidade, garantindo a si mesma a posição de gerente de projetos com a simples inauguração da nova loja.
Porém...
Ela também não ficaria de braços cruzados!
— Fique tranquila. Apesar de eu ter sido a responsável por fechar a parceria com a Farmacêutica Nobel, este projeto ainda ficará sob os seus cuidados...
Victória falou, dando uma olhada no seu relógio novo.
— Na hora exata. Eles estão esperando por você na Farmacêutica Nobel para uma reunião! É só pedir os documentos para a Olívia.
Após dizer isso, Victória saiu a passos largos do escritório de Deise.
Deise refletiu em silêncio por um instante, depois saiu do seu escritório para pedir os documentos a Olívia.
No fim das contas, Olívia apenas lhe entregou uma única folha de papel.
— Só isso?
Diante do questionamento de Deise, Olívia revirou os olhos e retrucou:
— O que mais seria? A parceria mal começou, quantos documentos você acha que vai ter!
Jogando a folha na mesa, Olívia deu as costas e saiu.
Deise passou os olhos pelo conteúdo do papel. Eram apenas frases inúteis e vazias. Mesmo lendo na diagonal, não conseguiu entender como seria a colaboração entre a Farmacêutica Nobel e o Grupo Marques.
Amassando os supostos documentos, ela atirou a bola de papel no lixo, deixou a empresa e dirigiu em direção à Farmacêutica Nobel.
Houve um tempo em que a Farmacêutica Nobel era considerada uma tradicional fábrica de medicamentos da Cidade Nova.
Mas a partir da gestão do pai de Raissa, a situação entrou em evidente declínio, tornando-se cada vez mais defasada em relação aos avanços do setor.
Se o Centro de Saúde Marques firmasse uma parceria com a Farmacêutica Nobel, provavelmente ficaria fadado a ser uma empresa de terceira categoria pelo resto da vida.
Isso seria inaceitável.
Ao segurar o volante, os cantos dos lábios de Deise se ergueram gradualmente.
Palmiro precisava subir cada vez mais alto.
Pois quanto mais alto estivesse...
Mais dolorosa seria a queda.
Cinco minutos antes do início da reunião, Deise chegou à Farmacêutica Nobel e, guiada pela recepcionista, entrou na sala de conferências.
Deise sabia que Raissa ainda guardava rancor da humilhação sofrida no dia da inauguração da loja de experiências.
No entanto, fora a própria Raissa quem provocara o incidente.
Deise percebia que a confusão arranjada por Raissa naquele dia havia sido, em grande parte, orquestrada por Victória.
Tudo porque a colaboração com a LifeTech Franco era o projeto dela.
Contudo, neste ponto, com ou sem Victória, Raissa já havia estabelecido uma grande rivalidade com ela.
Sem motivo para continuar ali, Deise deixou a sala de reuniões antes do esperado.
Sem ninguém para guiá-la, ela vagou sozinha pela fábrica, perdendo-se cada vez mais nos corredores.
Não tinha a menor ideia de onde havia chegado.
Apenas notou, através das janelas, que os enormes equipamentos de produção eram importados e pareciam muito novos.
No entanto, encontravam-se desligados, sem qualquer sinal de operação.
Deise ergueu as sobrancelhas e se aproximou para observar melhor.
Na sala de reuniões, a sessão liderada por Raissa durou três horas exaustivas, mas Deise não retornou.
— Aposto que não teve coragem de voltar, não é?
Lembrando-se de como Deise havia saído de fininho, Raissa não conseguiu conter uma risada zombeteira.

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