Enquanto comemorava radiante, Victória lançou um olhar para Deise.
Mesmo com a pouca luminosidade, ainda era possível distinguir as feições da cunhada.
O rosto de Deise permanecia totalmente inexpressivo, sem qualquer sobressalto.
A quem ela acha que engana fingindo essa indiferença!
Victória não conseguiu evitar revirar os olhos.
Acha mesmo que bancando a superiora vai conseguir segurar Palmiro na palma da mão?
Enquanto a jovem abrigava esses pensamentos, ouviu Palmiro fazer uma promessa fervorosa a Deise:
— Deise, embora eu tenha comprado a joia para a Victória, juro que não haverá favoritismo. Eu disse que compraria o que você quisesse, e vou cumprir a minha palavra.
Palmiro bateu no peito, garantindo suas palavras a Deise.
No entanto, Deise sequer desviou o olhar para encará-lo.
O semblante de Palmiro se alterou ligeiramente.
Ele sentia que a escassa paciência que ainda lhe restava estava prestes a ser esgotada por ela.
— A seguir... teremos o último lote de joalheria desta noite. Após este item, passaremos a outras categorias de produtos. Peço aos ilustres convidados apreciadores de joias que não deixem esta oportunidade escapar!
Após as palavras do leiloeiro, Palmiro apressou-se a alertar Deise:
— Deise, esta é a última joia.
Deise olhou para a coroa de pérolas exibida no palco e balançou a cabeça.
— Não gostei.
— Você...
Palmiro estalou a língua em reprovação.
Era a primeira vez que percebia o quão ingrata e inflexível Deise poderia ser.
Em contrapartida, Victória não largava o broche de diamantes que ele lhe comprara, completamente maravilhada com a peça.
De repente, Palmiro percebeu que havia sido ríspido demais com Victória mais cedo.
Por mais que Victória estivesse errada, ao menos tivera a decência de reconhecer o erro, engolindo o orgulho e tentando agradá-lo.
E então havia Deise...
Palmiro virou a cabeça e o olhar que repousava sobre Deise esfriou gradativamente.
Por fim, a coroa de pérolas, a última joia em leilão, foi arrematada por outro comprador.
Contudo, parecia haver um abismo intransponível os separando de forma definitiva.
Finalmente, o leilão caminhava para o seu encerramento.
— O último lote da nossa noite... é uma raridade que os ilustres convidados dificilmente encontrarão em qualquer outro leilão...
O leiloeiro elevou o tom de voz, começando a instigar a expectativa do público.
— Observem, senhores, este é o grande destaque final desta noite: uma Bioimpressora de IA Integrada!
Assim que as palavras do apresentador soaram, os olhos de Deise se arregalararam abruptamente.
— Eu quero isso!
A frase escapou de seus lábios quase como um impulso incontrolável.
Ao seu lado, Palmiro esfregou as orelhas, achando que tinha ouvido mal.
— Pra que você quer essa tralha?
Na pergunta de Palmiro, Deise notou um tom evidente de desprezo e deboche.
Enquanto ela hesitava se deveria ou não dar-lhe uma explicação, Victória, no assento adjacente a Palmiro, intrometeu-se com sua habitual ironia venenosa:
— Irmão, você não entende a cunhada? Embora ela tenha mudado de área no meio do caminho, ela estudou farmácia por um tempinho. Se está pedindo para você comprar essa máquina, é só para provar que tem algum conhecimento de verdade e sabe operar equipamentos de ponta. Nós, pessoas comuns, não temos o refinamento dela para reconhecer coisas de valor.

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