Ao ouvir o discurso de Victória, Palmiro permaneceu calado, mas sua expressão deixava algo bem claro...
Ele acreditara em cada palavra da amante.
Diante disso, Deise concluiu que não valia mais a pena tentar justificar suas ações.
Gastar saliva com ele era pura perda de tempo.
Naquele instante, no palco, o leiloeiro detalhava as características do grande lote final aos convidados.
— Este é um equipamento revolucionário criado pela Bio Deep Blue, fruto de vinte anos de dedicação exaustiva e um investimento incalculável: a Bioimpressora de IA Integrada.
— Embora a tecnologia ainda não esteja totalmente madura e o equipamento não tenha chegado oficialmente ao mercado, trata-se de um lançamento mundial exclusivo, a única máquina de validação de engenharia Alpha-1 existente, possuindo uma relevância histórica incomensurável. Acredito que os convidados do ramo compreendam o seu real valor.
— Portanto, com o lance inicial de trezentos milhões, declaramos aberto o leilão.
As palavras do apresentador deixaram Palmiro completamente em estado de choque.
— Trezentos milhões?!
Ele imaginara que, se o lance inicial estivesse na casa dos seis dígitos, poderia até ser generoso e comprá-lo para presentear Deise!
Embora considerasse aquilo de uma inutilidade tremenda.
Bioimpressora de IA Integrada. Por mais que soasse muito sofisticada, na realidade, devido às barreiras e gargalos tecnológicos, a sua operação prática não apenas falhava em aumentar a eficiência como também desperdiçava uma quantidade exorbitante de recursos.
Por esse motivo, era apenas uma máquina de validação de engenharia.
Em outras palavras, um produto semiacabado.
Palmiro simplesmente não conseguia compreender o que se passava na cabeça de Deise para rejeitar tantas joias deslumbrantes e insistir logo naquela máquina inacabada.
Deise sequer saberia como operá-la.
E para piorar, a tal geringonça custava nada menos que trezentos milhões.
Na concepção de Palmiro, apenas alguém com um parafuso a menos na cabeça gastaria dinheiro naquilo.
— Você me disse antes... que compraria qualquer coisa de que eu gostasse...
O murmúrio de Deise soou de súbito aos seus ouvidos.
O semblante de Palmiro se contorceu.
Antes que ele pudesse ensaiar qualquer desculpa, Victória voltou a meter o bedelho:
— Cunhada, essa máquina custa trezentos milhões! Você está reclamando que o meu irmão não tem todo esse dinheiro? Dizer algo assim numa ocasião como esta não é uma tremenda falta de respeito com ele?
O rosto de Palmiro fechou-se em uma carranca imediata. Quanto mais pensava, mais convencido ficava de que Deise era mesmo irrazoável e imatura, tal como Victória apontara.
...
Naquela época, Deise sempre acabava sendo feita de marionete por Palmiro.
E ela aceitava tudo de boa vontade.
Porque acreditava que todas aquelas atitudes eram provas do amor e do cuidado que ele tinha por ela.
O canto dos belos lábios curvou-se para cima, e Deise sorriu.
Ao notar o sorriso de Deise, Palmiro soltou um suspiro de alívio.
Parecia que ela finalmente desistira da ideia de se prender àquela máquina inútil.
Ele não percebeu, porém, que, apesar do sorriso nos lábios, os olhos de Deise transmitiam apenas uma frieza cortante e uma profunda autodepreciação.
Com um lance inicial de trezentos milhões, Deise não teria sequer a chance de erguer a placa, mesmo que dispusesse de suas economias pessoais, sem precisar recorrer ao patrimônio conjunto que dividia com Palmiro.
O grande entrave era que trezentos milhões extrapolavam completamente o seu orçamento.
Se ela possuísse toda essa quantia, os fundos de pesquisa e desenvolvimento do novo medicamento contra o câncer não estariam tão atrasados.
Para os profissionais da área, contudo, o valor daquela exclusiva e inédita Bioimpressora de IA Integrada ultrapassava facilmente a cifra de trezentos milhões.

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