— É só um projeto de medicamento contra o câncer. Não precisamos brigar com tantas empresas por causa disso.
— O que você sabe sobre isso?!
Victória estremeceu de susto.
Sem dizer mais nada, Palmiro disparou como uma flecha até Deise, curvando-se com uma postura servil.
— Deise, depois que o coquetel terminar, você poderia voltar para a empresa comigo? Eu queria que analisássemos juntos, com muito cuidado, o documento do projeto que você redigiu.
Já sabendo que Palmiro agiria daquela forma, Deise fingiu decepção e confusão.
— Mas... você não havia rejeitado esse projeto?
— Não, não. O que eu quis dizer é que... podemos aperfeiçoá-lo um pouco mais.
— Ah, entendi! — Os olhos de Deise voltaram a brilhar. — Tudo bem, eu volto com você... A propósito, quer que a Victória vá conosco?
A última frase fora dita em um tom estrategicamente alto, garantindo que Victória escutasse.
— Não precisamos levá-la.
Palmiro rejeitou a ideia de imediato.
Se não tivesse dado ouvidos a Victória antes, confundindo as intenções de Deise com ganância, não estaria correndo o risco de perder a oportunidade de ouro de investir no estúdio de Emerson.
Ao escutar o diálogo entre os dois, Victória ficou fervendo de raiva e fez menção de avançar.
Contudo, os conhecidos de Palmiro que momentos antes haviam criticado Deise pelas costas, agora se amontoavam ao redor dela. Alguns elogiavam a sua beleza e a sofisticação da sua roupa, enquanto outros exaltavam o seu brilhantismo por ter ajudado a modificar a bioimpressora.
Sentindo-se cheio de orgulho pela atenção que a esposa recebia, Palmiro mal conseguia conter o sorriso de orelha a orelha.
A pouca distância dali, Adam, como se enfrentasse uma crise de proporções épicas, enviava freneticamente mensagens no WhatsApp para William Branco, anexando inclusive algumas fotos.
Adam: Irmão, o marido da Sra. Paiva é um sem-vergonha, não para de rondar a Sra. Paiva como se fosse uma mosca. Mal sabe ele que a Sra. Paiva é a minha futura cunhada!
Alheio à confusão absurda nos pronomes de tratamento e nos laços familiares na sua mensagem, Adam disparou o texto apressadamente para William.
Na Suíça.
William conduzia uma reunião com os altos executivos na filial da empresa.
— Diretor Branco, estes são os relatórios financeiros do trimestre. Peço que dê uma olhada.
O gerente geral da filial entregou os documentos com extrema reverência. No entanto, ao pousar o celular e erguer o rosto, o olhar de William parecia prestes a trucidar alguém.
Adam sequer se deu ao trabalho de olhar para ela.
— O Vice-Diretor Branco deve ter notado que a minha cunhada é uma mulher casada. Se o senhor realmente tem a intenção de conquistá-la... quer que eu lhe dê uma ajudinha?
Adam ergueu os olhos e perguntou com um sorriso:
— Você pode me ajudar? E de que forma?
Victória ofereceu-lhe uma das taças de vinho.
Adam aceitou.
Logo em seguida, ele ouviu a voz conspiratória de Victória, sussurrando em um tom misterioso:
— Eu posso atraí-la e marcar um encontro com ela em um hotel para o Vice-Diretor Branco... Desde que use um pouquinho de persuasão, tenho certeza de que ela não irá resistir...
Victória achou que as suas insinuações já haviam sido suficientemente explícitas.
Pelo nível de devoção que Adam demonstrava, era óbvio que ele ainda não havia levado Deise para a cama.
Assim que Adam se aproveitasse e se fartasse dela, perderia todo o interesse e o frescor da novidade acabaria, anulando qualquer chance de ele continuar a protegê-la no futuro.

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