A maneira de pensar dela era diferente da de Gregory.
Embora Deise fosse a filha legítima mais velha nascida do primeiro casamento de Rafael, para uma linhagem de tradição farmacêutica como a da Família Paiva, seria bastante improvável passar o controle dos negócios da família para uma filha que não entendia absolutamente nada sobre a produção de medicamentos e que só pensava em frequentar baladas o dia inteiro.
Por outro lado, era altíssima a chance de Sylvia herdar a Saúde Paiva Ltda. de Rafael.
Bastava observar a forma como Rafael investia na formação de Sylvia, contrastando com a forma como tratava Deise, para que as coisas ficassem cristalinas.
— Eu seria a pessoa mais feliz do mundo se tivesse uma filha brilhante como a Sylvia...
Disse Luciana, enquanto lançava um olhar na direção de Victória.
Inconformada, Victória resmungou em voz baixa:
— Eu pelo menos tenho um mestrado!
Mas Luciana conseguiu ouvir aquelas palavras.
— E daí que você tem um mestrado? A Sylvia está fazendo mestrado e doutorado ao mesmo tempo.
Vendo Luciana derramar elogios infinitos sobre Sylvia, Deise deu um leve sorriso de desdém.
O tal mestrado e doutorado integrados vinha de uma universidade particular no País Marbela que Gabriela encontrara. O lugar tinha nome, mas qualquer um que injetasse dinheiro suficiente conseguia ser admitido por canais especiais.
A Licenciatura Máxima de Farmacêutica realmente era casca-grossa, mas Sylvia estava apenas na fase preparatória. Havia milhões de pessoas no mundo inteiro estudando para isso, e os que verdadeiramente passavam eram raríssimos; Fagner era um desses poucos.
Ao ser rebatida por Luciana, Victória espumou de raiva.
De todos os jovens presentes ali, ela sequer era a de escolaridade mais baixa! Por qual motivo Luciana insistia em usá-la como parâmetro de comparação com Sylvia?
— Por falar em escolaridade, uma pena mesmo é a situação da cunhada, que lá no passado até mudou de curso antes de sequer terminar os estudos em farmácia.
Victória forçou um tom carregado de falsos suspiros.
— Estudar farmácia é algo demasiadamente difícil, foi a decisão correta mudar de curso.
Gabriela parecia defender Deise, mas, na realidade, fazia um elogio carregado de humilhação velada.
— Vejam a Deise, depois de ter mudado de curso, ao menos conseguiu se formar na faculdade, não é?
— O importante é poder trabalhar. Entrando na sociedade a pessoa ganha experiência de vida! Muito diferente da Sylvia, que sempre manteve o rosto enfiado nos livros na faculdade e nunca nem pisou em baladas ou clubes noturnos na vida. Como ela sequer poderia se comparar a Deise?
Logo que a voz de Gabriela sumiu no ar, um bufo frio de insatisfação partiu de Rafael ao lado.
Todos os presentes sabiam perfeitamente bem que a fúria de Rafael não era direcionada a Gabriela, mas sim a Deise.
— Que absurdo de experiência de vida! Passa os dias se misturando com gente de laia duvidosa! Se ela tivesse pelo menos a metade da dedicação aos estudos que a Sylvia tem, não teria apenas tropeçado por aí para mal conseguir um diploma de graduação qualquer!


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