— O que ela está fazendo aqui?
Os grandes olhos marejados de Beatriz fixaram-se em Deise, e a garotinha não conseguiu esconder a frustração.
— Beatriz, não seja mal-educada.
Ao ser repreendida por Palmiro, Beatriz abaixou a cabeça, assumindo de imediato a sua postura de menina meiga e obediente de sempre.
— Me desculpe, tia. É que eu... não sabia que a senhora também vinha. Fui pega de surpresa.
— Não tem problema.
Respondeu Deise, notando como Beatriz lançava um olhar na direção de Victória — aquele olhar característico das crianças buscando socorro nos adultos.
Para Deise, era evidente que a menina repudiava a sua presença.
Quanto mais compartilhar com ela um jantar em um restaurante de buffet.
— Tia, o tio disse que você anda muito atarefada. Por que você não volta para o seu trabalho? Não precisa se forçar a vir conosco. Seria horrível se isso acabasse atrasando o seu projeto.
À primeira vista, as palavras de Beatriz soavam incrivelmente atenciosas. Se Deise não conhecesse tão bem as verdadeiras intenções daquela dupla de mãe e filha, talvez até chorasse de emoção!
— Você é uma menina muito compreensiva, Beatriz... Acontece que quem insistiu muito para me convidar para este jantar foi o seu tio. Se não fosse pela sua mãe lembrá-lo, ele até teria se esquecido da promessa de te levar ao buffet!
Deise mal havia terminado de falar quando percebeu os olhos de Beatriz se encherem de lágrimas, e os lábios da criança começarem a tremer num beiço choroso.
— Havia mesmo a necessidade de dizer isso, cunhada? Olha o estado da Beatriz. Deixou a menina magoada a ponto de chorar.
Prontamente, Victória pegou a filha no colo, num gesto maternal protetor.
Deise deu um tapinha de leve na própria boca.
— Culpa minha por ser tão direta e falar a pura verdade. Mas se a Beatriz se ofende com tanta facilidade, é sinal de que você a tem mimado demais, Victória. Isso só vai prejudicá-la quando for adulta e precisar enfrentar o mundo.
Victória nunca esperaria levar uma bronca daquelas de Deise. Estava prestes a rebater, quando a cunhada acrescentou:
— Como esposa do seu irmão mais velho, exijo respeito pela hierarquia. É bom que você leve os meus conselhos a sério!
— Você...
Victória ficou sem palavras diante da invertida de Deise. Limitou-se a segurar Beatriz e a fuzilar Palmiro com o olhar, destilando uma mágoa profunda.
No entanto, quanto mais ela o fitava com aquela expressão rancorosa, mais Palmiro desviava o rosto, esquivando-se do contato visual.


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