— Com licença, preciso usar o banheiro.
Deise se levantou e, ao afastar a cadeira, o Diretor Serra, que estava ao seu lado, estendeu a mão de propósito. Aparentemente, queria ampará-la, mas a sua real intenção era se aproveitar da situação e apalpar os glúteos dela.
— Não estou embriagada, Diretor Serra. Não precisa se preocupar.
Deise esquivou-se com agilidade, impedindo que as mãos insolentes do homem a tocassem.
O sorriso no rosto do Diretor Serra congelou na mesma hora.
Com a saída de Deise da mesa, o interesse daqueles antigos parceiros do Grupo Farmacêutico Marques minguou visivelmente.
Embora também tivessem lançado olhares na direção de Victória.
Se não houvesse Deise para estabelecer um contraste, tudo bem. Mas, em comparação com Deise, a aparência e as curvas de Victória perdiam o encanto imediatamente.
Durante o jantar, Palmiro propôs vários brindes por iniciativa própria, porém, o Diretor Serra e os demais não se mostraram muito receptivos.
Eles pertenciam à mesma geração de Gregory.
Aos olhos deles, Palmiro era apenas um jovem inexperiente.
— Diretor Marques, como você deve saber, o endurecimento recente das políticas ambientais fez os custos das matérias-primas dispararem e o valor dos fretes marítimos também sofreu um aumento considerável. Sendo assim, nós discutimos o assunto e decidimos que, daqui para a frente, o preço para fornecer ao Grupo Marques não poderá mais ser o mesmo de antes...
Dito isso, o Diretor Serra fez um gesto para Palmiro.
— O triplo, no mínimo.
A taça de vinho nas mãos de Palmiro tombou com um estrondo metálico.
— Diretor Serra, isso é inaceitável!
— E por que não seria?
O Diretor Vidal interveio:
— Temos uma relação de longa data com o Grupo Marques. Se fosse para qualquer outro, seria no mínimo o quádruplo. Este é um preço camarada, em respeito ao seu pai.
— Obviamente, não é que esse assunto não possa ser negociado...
O Diretor Valente lançou um olhar cúmplice para o Diretor Serra, e este mudou de assunto de forma repentina:
— Ei, e a Sra. Marques? Por que ainda não voltou?!
— Diretor Marques, por que não liga para a Sra. Marques e pergunta por que ela está demorando tanto para retocar a maquiagem?
Diante da insistência dos diretores, Palmiro, a contragosto, fez uma ligação para Deise.
— Sinto muito, Palmiro. Não estava me sentindo bem, então fui para o hospital. Fique e tome mais alguns drinks com os diretores. Diga-lhes que pagarei um jantar para compensá-los quando houver uma nova oportunidade.
Do outro lado da linha, a voz de Deise não aparentava nenhum sinal de mal-estar.
— Será o triplo... Se não aceitar, procuraremos outros parceiros.
O Diretor Vidal adotou uma postura intransigente.
— Ei, Diretor Vidal, não seja tão duro com o rapaz!
Ao lado dele, o Diretor Valente acariciou a barba e sorriu.
— O Diretor Marques ainda é um tanto rígido na hora de negociar. Os jovens precisam aprender a ser mais flexíveis... Da próxima vez, deixe que a Sra. Marques venha negociar conosco. Quem sabe a gente não chegue a um acordo? Não acham?
Ao ouvir as risadas indecentes dos diretores, Palmiro trincou os dentes.
Ao final do jantar, ele estava com o estômago embrulhado de tanta raiva.
Durante todo o trajeto de volta ao Imperial Verde, Palmiro não pronunciou uma única palavra enquanto dirigia com Victória ao seu lado.
Victória, por sua vez, compreendia muito bem o motivo da irritação de Palmiro.
O Maybach preto estacionou na vaga, e Palmiro virou a cabeça para Victória, perguntando:
— Por que não sai do carro?
Victória fitou Palmiro com uma expressão séria.
— O que você acha do que aconteceu esta noite?

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