O tempo que Victória permaneceu em silêncio foi o tempo exato que Olívia passou fuzilando-a com o olhar.
De repente, Victória abriu os braços e deu um abraço apertado em Olívia.
Olívia ficou paralisada.
— Me perdoa, Oli... me perdoa de verdade...
Quando Victória abriu a boca, sua voz já estava embargada de choro.
— Eu jamais imaginei que a Deise fosse tão perversa a ponto de deixar que abusassem de você e ainda fizesse um escândalo desse tamanho. Se não fosse por ela, você nunca teria chegado a esse ponto. A culpa é toda da Deise!
No início, logo após o incidente, Olívia estava amargamente arrependida, ciente de que não deveria ter se deixado usar como marionete por Victória.
No entanto, ouvindo o discurso de Victória agora, ela voltou a acreditar que toda a sua desgraça fora obra de Deise, sem nenhuma responsabilidade de Victória.
— Fica tranquila, Oli. Você é a minha melhor amiga, eu nunca viraria as costas para você...
— Seus pedidos são mais do que justos. Eu vou atender a todos eles e... ainda vou te ajudar a se vingar. Cedo ou tarde, farei a Deise pagar caro por isso!
Essa promessa firme e aparentemente sincera tocou o coração de Olívia, que retribuiu o abraço de Victória com força, desabando em lágrimas.
— Obrigada, Victória... Eu não tenho família por aqui, você é a minha única esperança.
— Não tenha medo. Você me tem ao seu lado, eu sou o seu porto seguro. Pode me considerar como se eu fosse sangue do seu sangue.
— Victória, você é tão boa para mim...
— Me dê dois dias, Oli, para eu conseguir preparar a sua viagem e levantar o dinheiro.
— Tudo bem, eu espero, Victória.
Após se livrar de Olívia, Victória voltou para casa.
Lá, Beatriz já havia dormido há um bom tempo.
Palmiro, por sua vez, estava viajando a negócios.
Não havia ninguém de fora em casa.
Sentada na beira da cama, Victória segurou o celular e permaneceu em silêncio por um longo momento antes de entrar em contato com uma pessoa.
Passadas duas semanas, Deise ficou sabendo que Olívia estava desaparecida.
Olívia não era natural de Cidade Nova; tinha vindo do interior para trabalhar na cidade grande.
— Pedi para uns contatos das antigas investigarem, e parece que aquela tal de Olívia... não desapareceu, mas sim fugiu do país clandestinamente.
As palavras de Susana fizeram Deise, que estava prestes a dar um gole no guaraná, abaixar a garrafa.
— Fugiu clandestinamente? Para onde?
— Para nenhum lugar que preste.
Susana balançou a cabeça com uma expressão sombria.
— O navio parecia apenas transportar imigrantes ilegais, mas, na verdade... todos ali, homens e mulheres, eram tratados como mercadoria. Eles seriam vendidos no México. Os homens vão para o trabalho escravo ou aplicar golpes, e as mulheres...
Susana não precisou terminar a frase.
Sem que ela dissesse mais nada, Deise já tinha compreendido.
Mulheres vendidas para os cartéis no México teriam um destino ainda mais trágico.
Forçadas à prostituição, usadas como barrigas de aluguel ou para extração de órgãos...
Deise deu um gole no guaraná e estalou a língua, sentindo que até o sabor da bebida havia mudado.

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