A voz de William era grave e magnética, daquelas tão sedutoras que bastava ouvi-la para se arrepiar inteira.
Deise sempre sentia que ele a provocava de propósito. Assim, deixou-se levar e aninhou-se naturalmente em seus braços.
— A gente se vê todos os dias e você ainda sente saudade!
— Mas a gente passa pelo menos oito horas sem se ver todo dia!
Como se notasse um tom de queixa na voz de William, Deise não soube se ria ou se chorava.
— Está bem, pode me soltar agora!
— Mas tenho medo que você sinta frio! Você estava espirrando agora mesmo.
Deise tocou o cachecol que ele havia colocado em seu pescoço.
— Não se preocupe, com isso aqui estou muito mais aquecida.
Finalmente, ela conseguiu convencê-lo com aquele argumento, e William a soltou devagar.
Não era uma desculpa qualquer. Com aquele cachecol grosso, o vento da colina não invadia seu pescoço e ela estava, de fato, muito mais quente.
Porém, ao notar que ele não usava muitas roupas — nem sequer um sobretudo por cima do terno preto —, ela se preocupou.
— Você não precisava vir a um lugar como este para me encontrar. Eu já estava de saída.
Ao ouvir isso, William pediu baixinho "me espere um segundo", e então caminhou até o carro que havia estacionado ali perto.
Quando voltou, trazia uma cesta de flores.
A cesta era discreta e elegante, enfeitada com crisântemos brancos e amarelos, o tipo de flor adequado para homenagear os mortos num cemitério.
Ele colocou as flores diante da lápide da mãe dela e curvou-se três vezes, com profundo respeito.
Observando ao lado, Deise ficou paralisada.
— Senhora, sinto muito por ter vindo tão de repente hoje. Deixe-me primeiro me apresentar: eu me chamo William, sou o namorado da Deise, e também seu futuro marido.
Vendo a seriedade com que ele dizia aquelas palavras, Deise não aguentou e soltou uma risada.
No entanto, ao encontrar os olhos fascinantes do homem, o sorriso em seus lábios se desfez aos poucos.
O olhar dele era muito sério.
Era a seriedade de quem estava disposto a jurar, perante a lápide da mãe dela, que cuidaria dela por toda a vida.
— Desculpe, não estou rindo de você.
Ela explicou, séria.


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