— Senhorita, este colar...
A vendedora começou a falar com cautela.
O colar já estava embrulhado, numa embalagem belíssima.
Mas o homem que havia concordado em pagar já tinha ido embora.
Quem ousa entrar e experimentar joias numa loja de alto padrão geralmente tem posses ou status, e a vendedora, observando que Deise não parecia uma pessoa comum, achou que a venda não estava necessariamente perdida.
Por isso, sua atitude continuava respeitosa.
Além disso, com o pedido aberto e a joia embalada, o cliente costuma sentir-se constrangido em desistir numa hora dessas e acaba comprando mesmo a contragosto.
— Desculpe, não vou levar o colar.
Assim que Deise disse isso, o rosto da vendedora fechou na hora.
Deise compreendia; ninguém fica feliz quando uma venda garantida escapa.
Mas ela realmente não queria tirar do próprio bolso para comprar um colar de mais de um milhão.
Muito menos gastaria esse dinheiro todo só para evitar um constrangimento.
Ela precisava de muito dinheiro para desenvolver novos medicamentos!
Deise virou-se e saiu da joalheria. Quando estava prestes a sair do shopping, a vendedora correu atrás dela.
Será que vai tentar me extorquir?
O canto da boca de Deise tremeu levemente.
Sendo uma loja de luxo, e como ela não havia deformado a peça nem deixado cair nenhum diamante ao provar, a vendedora não deveria criar caso por causa de comissão.
— Sra. Paiva, por favor, espere!
A vendedora bloqueou o caminho de Deise, ofegante.
Deise ergueu as pálpebras.
Como ela sabia que seu sobrenome era Paiva?
No mesmo momento, Palmiro já havia chegado de carro à Creche Crescer Juntos.
Ao ver Palmiro chegar, Beatriz, que um segundo antes chorava copiosamente, imediatamente abriu um sorriso entre as lágrimas.
— Tio!
Ela se jogou nos braços de Palmiro, que a ergueu no colo.
— Beatriz, como está sua barriga? Ainda dói? — perguntou Palmiro, nervoso.
— Não dói mais. Assim que o tio chegou, parou de doer tudo.
— Tio, agora que a tia não está aqui, eu queria te chamar de papai... posso?
Olhando para a expressão digna de pena de Beatriz, Palmiro não conseguiu dizer "não".
Mas estavam na porta da creche, e ele temia que alguém ouvisse e entendesse mal.
— Vamos, vamos para o carro.
Palmiro levou Beatriz para o seu Maybach e, sorrindo, disse a ela:
— Agora sim, você pode me chamar de papai.
Beatriz assentiu e olhou para Victória.
A expressão de Victória estava ainda pior do que antes.
Aos olhos de Palmiro, ela era alguém que precisava ser escondida.
A filha dela também precisava ser escondida.
Victória cerrou os dentes em segredo.
Tudo isso era culpa daquela vagabunda da Deise!
— Papai... você pode consolar a mamãe? A mamãe chorou várias vezes nos últimos dias!

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