— A Beatriz sempre escolhe só um brinquedo. Não esperava que a titia fosse menos obediente que a Beatriz. Que vergonha, titia.
Beatriz completou o raciocínio de Victória.
Deise olhou para o furioso Palmiro, para a presunçosa Victória e para a hostil Beatriz, e riu internamente:
De fato, farinha do mesmo saco.
Aquela família de três se merecia.
— Podem ficar tranquilos, não preciso de reembolso pelos colares. Alguém me deu de presente.
— O quê?
Palmiro olhou para Deise, atônito.
A postura calma de Deise não parecia a de quem estava mentindo.
Ele ia perguntar quem foi, mas Victória se adiantou:
— A cunhada é uma mulher casada e ainda assim faz tanto sucesso com os homens?
A frase de Victória fez o rosto de Palmiro fechar instantaneamente.
Ele percebeu que não precisava perguntar quem deu os colares.
Quem deu não importava.
O importante era que Deise aceitou...
E ainda parecia orgulhosa disso.
Deise tinha uma beleza natural que, com um pouco de produção, se tornava deslumbrante. Andando em um shopping de alto padrão como aquele, não era impossível que atraísse a atenção de homens ricos.
Palmiro chegou a pensar que Deise poderia ter flertado intencionalmente para conseguir um colar extra.
Com a expressão cada vez mais sombria, ele se virou para ir embora.
Nesse momento, Victória puxou a roupa de Beatriz e trocou um olhar cúmplice com a menina.
Beatriz era esperta. Criada observando a mãe, entendeu na hora o que aquilo significava.
Deise estava parada em um pequeno degrau.
Embora não fosse alto, apenas três passos, se Beatriz corresse e esbarrasse nela de surpresa, certamente faria Deise cair e se machucar.
E mesmo que Deise não se machucasse, as caixas de joias em suas mãos certamente voariam longe.
Sem hesitar, Beatriz começou a correr.
— Ai!
Ao chegar perto de Deise, Beatriz fingiu tropeçar.
Deise apoiava o queixo na mão, preocupada.
Naquela tarde, no New World, depois de ser alcançada pela vendedora, Deise achou que seria incomodada.
Mas, para sua surpresa, a vendedora lhe entregou respeitosamente as duas caixas embrulhadas.
— Estes são os seus colares. O gerente pediu para entregar à senhora.
Surpresa, Deise perguntou o nome do gerente.
— Nosso gerente se chama Jesimiel.
Deise não conhecia ninguém com esse nome.
— Desculpe, eu não paguei. Não posso aceitar esses colares.
Deise fez menção de ir embora, mas foi novamente barrada pela vendedora.
— Sra. Paiva, se a senhora não aceitar, eu serei demitida.
A vendedora estava com o rosto aflito, a voz embargada de choro.
Deise não queria prejudicar a funcionária, mas também não queria aceitar joias no valor de três milhões sem motivo.
Então, ela pediu que a vendedora a levasse até o tal gerente Jesimiel.

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