Em seu campo de visão, Marcelo Soares, vestindo terno e sapatos de couro, caminhava a passos largos com uma expressão séria.
William baixou ligeiramente os olhos, avaliando instintivamente Marcelo.
Ele ainda se lembrava de que, quando conheceu Marcelo, este estava despenteado e com roupas esfarrapadas.
Contudo...
O Marcelo daquela época tinha um olhar ingênuo e puro, livre das impurezas do mundo.
No entanto, agora...
O visual de Marcelo, da cabeça aos pés, tornava-se cada vez mais caro e requintado.
Mas o seu olhar já não exibia a inocência de antes, tornando-se sombrio e opaco.
— Deise, ele está te importunando? Precisa que eu te ajude a enxotá-lo?
Marcelo parou diante de Deise e perguntou, assumindo uma postura autoritária.
Antes que Deise pudesse falar, William se adiantou.
— Eu diria que é você quem continua importunando a Deise, não acha?
— Eu?
Marcelo ergueu uma sobrancelha.
— Eu sou o Diretor de Operações da Saúde Paiva Ltda., sou colega de trabalho de Deise. Estar com ela... é a coisa mais natural do mundo.
As últimas palavras deixaram Deise atônita.
Ela olhou para Marcelo e percebeu que ele encarava fixamente William.
Havia algo diferente em Marcelo.
O antigo Marcelo nunca diria coisas assim.
Ele tinha uma presença quase nula, sempre bancava o bom moço, não entrava em atritos com o mundo.
Mas, agora, toda a aura de Marcelo ganhara um tom hostil.
Deise não sabia se essa mudança de Marcelo ocorria porque seu pai lhe dissera algo, ou o influenciara de maneira sutil.
Para Deise, pessoalmente, o antigo Marcelo era muito mais admirável.
— Marcelo tem razão.
De repente, uma voz grossa e poderosa soou do fim do corredor.
Quem se aproximava era Rafael Paiva.
Ao ver William parado ao lado de Deise, o desgosto ficou nítido no rosto de Rafael.


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