A manhã seguinte começou com o cheiro de café vindo da cozinha e um fio de luz dourada atravessando as enormes janelas da mansão. Lia acordou antes do despertador, como se o corpo já entendesse que aquele emprego não permitia atrasos. Tomou banho rápido, prendeu o cabelo e desceu as escadas devagar, tentando se acostumar com a sensação de estar num lugar tão grande que parecia respirar por conta própria.
Charles estava na cozinha, impecável como sempre, passando instruções para a equipe.
— Bom dia, senhorita Ramos — ele disse, sem tirar os olhos da lista que segurava. — Aria está acordando. O senhor Hale pediu que você a acompanhe no café da manhã.
O senhor Hale.
O nome fazia algo acontecer dentro dela. Não deveria. Mas fazia.
Lia subiu para o quarto da menina. Aria estava sentada na cama, abraçando um travesseiro, os cabelos bagunçados e o olhar curioso. Quando viu Lia, um micro sorriso apareceu, tímido, mas real.
— Bom dia, pequena — Lia disse, sentando ao lado dela. — Vamos começar o dia?
Aria estendeu os braços. Lia a pegou no colo, sentindo a leveza daquele corpinho que parecia carregar mais do que qualquer criança deveria. Descendo as escadas com ela, Lia cantou baixinho uma melodia simples. A mesma do dia anterior.
Aria encostou a cabeça em seu ombro, confiante.
E Lia percebeu, com um aperto no peito, que aquela menina já estava entrando no lugar certo dentro dela.
O café da manhã estava servido numa sala menor, mais aconchegante que o salão da noite anterior. A mesa era arrumada com perfeição quase exagerada. Lia colocou Aria na cadeirinha e ajeitou o guardanapo dela.
Dominic entrou poucos segundos depois.
Dessa vez, sem jaqueta. Sem formalidade. Só camisa branca dobrada nos antebraços, e aquele ar de homem que não precisa levantar a voz para ser ouvido.
Lia sentiu o impacto da presença dele antes mesmo de ele falar.
— Bom dia — ele disse.
Não era apenas um cumprimento. Era um olhar que prendia.
— Bom dia — Lia respondeu, tentando manter a postura.
Dominic sentou à cabeceira, observando Aria e depois… ela. Lia fingiu ocupar-se com o suco da menina, mas sentia o foco dele como calor na pele.
— Ela dormiu bem? — ele perguntou.
— Dormiu — Lia respondeu. — E acordou tranquila.
Ele assentiu.
Os olhos dele ficaram nela por tempo demais. Lia desviou primeiro.
Depois do café, Lia levou Aria para brincar no jardim da mansão. A menina adorou o balanço, a grama, o sol. Era como ver uma flor abrir aos poucos. Cada gesto, cada olhar, era uma pequena vitória.
— Muito bem, Aria — Lia disse, segurando as mãos dela enquanto a balançava. — Hoje você está cheia de coragem, hein?
A porta da varanda se abriu.
Dominic observava as duas.
Ele não interferiu. Não chamou. Não se aproximou.
Só ficou ali, silencioso, como se aquele momento fosse precioso demais para interromper.
Quando Aria finalmente cansou e pediu colo com um gesto tímido, Lia a pegou. A menina enterrou o rosto no pescoço dela, confiante, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dominic: Amor Fora dos Limites