Lia passou a tarde tentando ocupar a mente com tarefas simples: organizar brinquedos, arrumar o quarto de Aria, revisar a lista de horários. Mas nada adiantava. O pensamento insistia em voltar ao escritório secreto de Dominic. A porta entreaberta. A maneira como ele dissera “ou pode ficar”.
Aquilo não era casual. Não era educado. Era… outra coisa.
E Lia sabia reconhecer perigos quando os encontrava.
Mas também sabia quando algo mexia com ela de um jeito que era impossível ignorar.
A rotina do fim da tarde era tranquila. Aria brincava em silêncio, sentada no tapete do quarto, enquanto Lia guardava algumas roupas pequenas numa cômoda. A menina parecia confortável, leve, como se já tivesse decidido que Lia fazia parte do pequeno mundo dela.
— Quer pintar? — Lia perguntou, mostrando um conjunto de lápis de cor.
Aria assentiu com um movimento quase imperceptível, mas com brilho nos olhos.
Elas se sentaram juntas. A menina começou a desenhar linhas tortas e coloridas, e Lia percebeu que cada traço tinha intenção. Aria não era distante. Só tinha aprendido a viver protegida dentro de si.
— Você é incrível, sabia? — Lia murmurou.
Aria olhou para ela e, pela primeira vez, sorriu. Um sorriso pequeno, tímido. Mas sorriso.
Lia sentiu o peito apertar de emoção.
— Ela sorri? — disse uma voz masculina à porta.
Lia virou rápido.
Dominic estava apoiado no batente, sem jaqueta, com a camisa social aberta no colarinho, como se tivesse acabado de sair de uma reunião longa demais. O cabelo um pouco bagunçado. A expressão… diferente. Um tipo de surpresa misturada com algo que Lia não sabia nomear.
— Ela acabou de sorrir para mim — Lia disse, ainda maravilhada. — Acho que é uma vitória.
Dominic não tirava os olhos da filha.
E, pela primeira vez, Lia viu algo que nunca esperou: fragilidade.
Um pai tentando alcançar a própria criança.
Ele se aproximou devagar, como quem teme assustar as duas.
Aria parou de desenhar. Observou o pai com atenção, mas não se encolheu. Só ficou quieta. Atenta.
— Oi, pequenina — Dominic disse baixinho.
Lia sabia que não era comum. Charles comentara que Dominic quase nunca tinha esse acesso, esse momento, esse espaço íntimo com a filha. Ele tentava. Ele desejava.
Mas Aria não o deixava chegar perto.
E agora, naquele quarto iluminado suavemente, com lápis coloridos espalhados pelo chão… Aria deixou.
Ela estendeu um desenho para o pai. Um rabisco azul.
Lia prendeu a respiração.
Dominic pegou o papel como se segurasse algo precioso demais para existir.
— Obrigado — ele disse à filha, com a voz rouca. — É lindo.
Aria encostou no braço de Lia, se acolhendo ali.
E Dominic viu.
Viu tudo.
A conexão.
A entrega.
A confiança que ele não conseguia alcançar.
Era impossível não sentir a mudança no ar.
— Ela gosta de você — ele disse para Lia. — Gosta muito.
— Eu gosto dela também — Lia respondeu, porque era verdade.
Dominic assentiu, os olhos fixos nela. Não como patrão. Não como CEO.
Como homem.



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