— Lívia... — Valentina murmurou com a voz rouca, quase inaudível, enquanto fitava o lustre de cristal no teto com um olhar vazio. — Eu sonhei com meu avô e com minha mãe...
O coração de Lívia apertou. Ela torceu a toalha morna e começou a limpar o suor e as lágrimas do rosto de Valentina.
— Quando a gente está doente, é normal sonhar com as pessoas que mais amamos e sentimos falta. — Lívia falou suavemente enquanto continuava a cuidar dela. — Hoje de manhã você teve febre baixa. Usei álcool para baixar a temperatura. Lucas trouxe alguns remédios da farmácia local, e para não levantar suspeitas, deixei eles aqui. Mais tarde, Eduardo insistiu em vir te examinar, mas eu recusei.
Valentina piscou lentamente, sem mostrar se havia escutado ou não o que Lívia dizia. Ainda assim, ela continuou falando sozinha, como se estivesse presa no próprio sonho.
— No sonho, eu estava perdida. Caminhei por um túnel longo, muito longo. Meu avô me chamava de um lado, e minha mãe tentava me impedir de seguir do outro...
Lívia delicadamente abriu os dedos trêmulos de Valentina, que seguravam o cobertor com força. Ela envolveu as mãos frias da amiga com a toalha morna, tentando aquecê-las.
— Minha mãe me disse para voltar. Ela disse que eu também sou mãe agora e que não poderia ir até lá...
Lívia abaixou a cabeça e mordeu o lábio, tentando conter as lágrimas que já escorriam pelos cantos de seus olhos.
A voz de Valentina ficou ainda mais fraca e embargada. Ela fechou os olhos e, com o último sopro de força, sussurrou:
— Mas... Eu estou tão cansada...
Uma lágrima quente rolou pelo canto de seu olho enquanto ela lentamente se entregava ao sono novamente.
Do lado de fora, o céu já estava completamente escuro. Eram sete e meia da noite em Gana.
Lívia tocou a testa de Valentina e confirmou que sua temperatura havia voltado ao normal. Ela soltou um suspiro pesado, sentindo-se impotente.
A jornada física e emocional que Valentina estava enfrentando, somada à gravidez que a deixava ainda mais sensível, a teria derrubado mais cedo ou mais tarde.
O som de batidas na porta interrompeu seus pensamentos.
Lívia levantou-se, olhou pelo olho mágico e só então abriu a porta.
Eduardo estava do lado de fora com uma embalagem de comida em mãos.
— Aqui está o jantar. — Ele disse, estendendo a embalagem para Lívia.
Lívia pegou a comida, deu uma olhada ao redor e perguntou:
— E o Lucas? Onde ele está?
— Não sei. — Eduardo deu de ombros. — Na hora do jantar ele sumiu. Eu desci para comer sozinho e aproveitei para trazer algo para vocês.
Ele fez uma pausa e perguntou:
— Como ela está?
— Ela acordou de um pesadelo, mas já voltou a dormir. — Lívia respondeu, exausta. Ela olhou para Eduardo com seriedade e continuou. — Eduardo, por favor, peça ao Lucas para dar um fim definitivo a essa história com a Valentina quando voltarmos. Ela já sofreu demais. O coração dela está em pedaços, e ela não aguenta mais carregar o peso dessa relação absurda.
Eduardo assentiu com firmeza.
Enquanto falava, Lívia já pulava da cama, calçava os chinelos e caminhava até a porta.
Quando abriu, encontrou Lucas e Eduardo parados lado a lado no corredor.
— Ela está melhor? — Lucas perguntou, com a voz baixa e séria.
Lívia olhou para trás, na direção de Valentina.
Valentina, que tinha ouvido a pergunta de Lucas, fez um leve aceno com a cabeça para Lívia.
Lívia voltou-se para Lucas e respondeu:
— Ela acabou de acordar. Parece estar bem melhor. O que você quer que ela faça agora?
— Peça para ela se arrumar e descer. Estarei esperando no saguão. — A voz de Lucas era fria e direta.
Lívia o encarou com desconfiança.
— Descer para quê? Fazer o quê?
Lucas foi breve, respondendo apenas:
— Quando chegarmos lá, ela vai saber.

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