— Você é uma mãe má, você grita comigo... — Gabriel chorava enquanto gritava. — Você diz que está doente e por isso grita comigo, mas a minha mamãe nunca faz isso! Ela... Ela nunca gritou comigo, nem quando estava muito brava. Ela... Ela também nunca me machucou escondido...
Cecília ficou paralisada, as palavras de Gabriel cravaram-se como facas em sua mente.
Nesse momento, o som de um carro entrando na propriedade quebrou o silêncio. Era Lucas.
O coração de Cecília disparou, e um arrepio subiu por sua espinha. Se Lucas descobrisse que ela tinha machucado Gabriel...
Gabriel aproveitou a distração de Cecília e correu para a porta.
— Papai!
Lucas acabava de entrar pela porta quando viu Gabriel correndo em sua direção, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Ele franziu o cenho e se abaixou para segurar o filho nos braços.
— Papai, me leva embora! Eu não quero mais ficar aqui!
Lucas ergueu Gabriel no colo e tirou um lenço do bolso para limpar o rosto do menino.
— Gabriel, me conta o que aconteceu.
Gabriel, soluçando, agarrou o pescoço do pai como se estivesse buscando proteção.
— Mamãe gritou comigo... Eu fiquei com medo... Papai, me leva pra casa, por favor. Eu quero ir pra casa...
Ao ouvir isso, o rosto de Lucas escureceu.
Cecília e Tatiana chegaram correndo, mas já era tarde. Gabriel tinha contado tudo.
Cecília olhou para Lucas, com o rosto completamente pálido.
— Lucas, deixa eu explicar. Eu só...
Lucas a interrompeu, sua voz fria como gelo.
— Você está emocionalmente instável. Vou chamar um médico para vê-la. — Ele não deu a Cecília nenhuma chance de continuar. — Enquanto isso, não quero que você veja Gabriel.
Depois de dizer isso, Lucas simplesmente virou as costas e saiu com Gabriel nos braços.
— Lucas! — Cecília correu atrás dele, desesperada. — Eu não fiz de propósito! Eu estou tomando os remédios direitinho, por favor, não leve o Gabriel embora!
…
No hospital da família Amorim, Cecília foi internada.
O médico explicou que o desmaio dela havia sido causado por um colapso emocional. Para evitar riscos, ele recomendou que ela ficasse em observação por alguns dias.
Depois de se certificar de que Cecília estava recebendo atendimento, Tatiana se despediu e deixou o hospital.
Pouco tempo depois, Leandro entrou no quarto. Ele fechou a porta atrás de si e, por precaução, trancou-a.
— Mano. — Cecília estava sentada na cama, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela olhou para Leandro com um misto de desespero e vulnerabilidade. — O que eu faço agora?
Leandro se aproximou da cama, com a expressão séria. Instintivamente, ele levantou a mão para enxugar as lágrimas de Cecília, mas hesitou no meio do caminho. Parecia lutar contra algo dentro de si.
Antes que ele pudesse recuar, Cecília agarrou as mãos dele com força.
Os dedos de Cecília eram macios e delicados, e a maneira como ela envolveu as mãos de Leandro trouxe lembranças que ele tentou enterrar por anos.
Por um breve momento, Leandro foi transportado de volta àquela noite de muito tempo atrás. Ele podia sentir novamente aquelas mesmas mãos suaves, os dedos finos e gentis que, como videiras, haviam se enrolado firmemente em torno de seu coração, deixando marcas que ele nunca conseguiu apagar...

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