Naquele dia, Isadora, Álvaro e Marcos acompanharam Valentina ao hospital.
O exame de ultrassonografia morfológica para gêmeos era muito mais complexo do que para uma gestação única. Foram necessários exatos trinta minutos para concluir o procedimento.
— Pronto. Aqui está o relatório. Leve para a Dra. Joyce dar uma olhada.
— Tudo bem. — Valentina pegou o documento e saiu da sala de ultrassom.
Do lado de fora, os três que aguardavam ansiosos se aproximaram assim que a viram.
— Valentina, o que o médico disse? — Isadora perguntou.
Valentina balançou a cabeça.
— Não disseram nada. Só pediram para levar o relatório à Dra. Joyce.
— Então vamos direto para o consultório dela. — Álvaro sugeriu, tomando a iniciativa.
Os quatro seguiram juntos até o consultório da Dra. Joyce.
Joyce pegou o relatório das mãos de Valentina e começou a analisar. Após alguns minutos, ela sorriu.
— De acordo com o relatório, os dois bebês estão se desenvolvendo normalmente.
Ao ouvir essas palavras, Valentina finalmente sentiu seu corpo relaxar. Era como se um peso enorme tivesse sido retirado de seus ombros.
— Que alívio. — Isadora suspirou, colocando a mão no peito. — O importante é que os bebês estão bem.
Álvaro, porém, ainda tinha dúvidas.
— Então, isso significa que podemos descartar qualquer impacto causado pela exposição à radiação?
Joyce explicou com um tom profissional:
— Este é um exame morfológico, que avalia a estrutura física dos fetos, como órgãos, cérebro, face e outras partes essenciais. Mais para frente, no terceiro trimestre, entre a 30ª e a 32ª semana, será necessário realizar outra ultrassonografia, voltada para identificar possíveis condições como cardiopatias congênitas, dilatação dos ventrículos cerebrais ou hidrocefalia.
As palavras da médica fizeram com que a tensão que todos haviam acabado de aliviar voltasse imediatamente.
— Quer dizer… — Valentina colocou a mão sobre a barriga. — Que o fato de os resultados estarem normais agora não elimina completamente a possibilidade de problemas?
Joyce assentiu.
— Pode-se entender dessa forma.
Por um momento, todos ficaram em silêncio.
Vendo a expressão preocupada de Valentina, Joyce tentou tranquilizá-los.
O celular estava desligado. Rodrigo ligou o dispositivo e, ao abrir a lista de contatos, viu apenas um único número salvo. O nome na lista era “Tatiana”.
Rodrigo encarou aquele nome com uma expressão sombria. Seu rosto ficou sério, e a raiva aflorava em seus olhos.
Naquele dia, Eduardo havia marcado um encontro com ele, dizendo que Lucas queria conversar. Quando chegou ao local, descobriu que a ideia havia partido de Lucas.
Lucas o alertou que seu pai andava cada vez mais próximo de uma mulher chamada Tatiana e que ele deveria ficar de olho.
Rodrigo, inicialmente, não acreditou que seu pai pudesse trair sua mãe. Mas, depois daquela conversa, ele começou a observar os passos do pai com mais atenção.
Nos primeiros dias, tudo parecia normal. Até que, na noite anterior, seu pai anunciou que precisaria viajar a trabalho.
Rodrigo sabia que o pai, sendo presidente do Grupo Júnior, raramente fazia viagens desde que seus dois irmãos mais velhos assumiram a maior parte das operações da empresa. Isso despertou suas suspeitas.
Agora, segurando aquele celular em mãos, Rodrigo finalmente tinha a confirmação de que Lucas não havia mentido. Seu pai realmente estava traindo sua mãe.
Ele desligou o celular, colocou-o de volta na gaveta e a fechou cuidadosamente.
Ao sair do escritório, Rodrigo pegou seu próprio celular e ligou para Cecília.
— Cecília, você disse, da última vez, que suspeitava que sua mãe tinha um caso, certo?

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