Do outro lado da linha, a voz de Cecília soava um pouco tensa.
— Você descobriu alguma coisa?
— Eu encontrei um celular no escritório do meu pai. Só tem um número salvo, com o nome Tatiana.
— Então é verdade… — A voz de Cecília ficou embargada. — Desculpa, Rodrigo. Na verdade, eu tentei falar com a minha mãe. Eu disse para ela não ser tão gananciosa, para não destruir a família dos outros. Mas ela não me escuta. Quando eu insisto, ela até me bate...
— Isso não é culpa sua. — Rodrigo sentiu o coração apertar ao ouvir o choro de Cecília. — Cecília, eu te liguei porque preciso saber: se eu for atrás da sua mãe, você vai ficar contra mim?
— Eu? Como eu teria coragem de te culpar? — Cecília respondeu em meio às lágrimas. — Foi a minha mãe que errou. Você é meu amigo, e eu já sou grata por você não colocar a culpa em mim.
— Cecília, para de chorar. — Rodrigo disse, tentando acalmá-la. — Eu sei que você é diferente dela. Você sofreu tanto com os Amorim, e eu sinto tanta pena de você... Nunca descontaria minha raiva por causa da sua mãe em você. Eu só preciso do seu posicionamento.
— Rodrigo, não importa o que você fizer, eu vou entender.
— Tudo bem. Então fica tranquila e foca no seu trabalho.
— Tá bom.
Assim que a ligação terminou, Rodrigo entrou em contato com um detetive particular.
…
Três dias depois, Dedé, que estava na fronteira, recebeu uma série de fotos e alguns vídeos.
Ele abriu as imagens e viu Tatiana com outro homem. Eles estavam muito próximos, em um comportamento claramente íntimo.
As fotos não mostravam o rosto do homem, mas a forma como ele se vestia e o relógio caro no pulso denunciavam que ele era alguém de grande poder financeiro.
Dedé então abriu os vídeos. O rosto do homem estava borrado, mas o de Tatiana, não.
Ao ver o conteúdo, os olhos de Dedé ficaram vermelhos de raiva, brilhando com um ódio quase animalesco.
…
Cidade B, 22h, estacionamento subterrâneo de um hotel cinco estrelas.
As portas do elevador se abriram, e Tatiana saiu caminhando com seus saltos altos, balançando os quadris enquanto segurava uma bolsa de grife.
Ela acabara de se despedir de Túlio. Na bolsa, agora carregava um cartão com cinco milhões de reais e um colar de pedras preciosas que valia uma fortuna.
De bom humor, Tatiana caminhava até seu carro, cantarolando uma música baixinho.
Enquanto dirigia pelas ruas da cidade, sua mente trabalhava a mil por hora, tentando entender como lidar com a situação.
Depois de um tempo, ela quebrou o silêncio.
— Dedé, quando você voltou?
— Cheguei há dois dias. — Dedé respondeu com a voz fria, usando um boné e uma máscara que cobriam grande parte de seu rosto. Mesmo assim, seus olhos, fixos em Tatiana, estavam carregados de raiva.
O perfume forte de Tatiana preenchia o carro. Dedé estendeu a mão e tocou a cintura dela.
Tatiana sentiu um calafrio de nojo, mas forçou um sorriso tímido e disse:
— Não faz isso, Dedé. Eu tô dirigindo.
— Você tá feliz com o Túlio? — A voz grave de Dedé tinha um tom gelado. — Você me disse que o Ademir ficou inválido, mas que ele podia te dar estabilidade. Foi por isso que eu te deixei ir. Agora, o que você tá fazendo com o Túlio?
O coração de Tatiana disparou.
Então era isso. Dedé havia voltado por causa de Túlio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais