Assim que o carro entrou no vilarejo, o celular de Valentina tocou.
— Eu já cheguei ao aeroporto.
A voz feminina soou clara, com um tom ligeiramente arrogante.
Valentina curvou os lábios em um sorriso discreto.
— Estou indo te buscar agora.
Bastian, ao lado dela, lançou um olhar de soslaio.
— É uma amiga sua que está vindo?
Valentina assentiu.
— Sim.
— Quer que eu vá com você?
— Não precisa. Me deixa em casa, pego o carro e vou sozinha.
— Tudo bem.
...
Valentina parou em casa para pegar um documento e as chaves do carro antes de sair novamente.
No aeroporto, ela estacionou o carro e entrou no terminal.
O local estava movimentado, com turistas circulando de um lado para o outro. Perto da saída de desembarque, uma mulher alta, usando óculos escuros e puxando uma mala de rodinhas, apareceu entre a multidão.
Valentina a reconheceu quase de imediato. Ela levantou a mão e acenou.
A mulher viu Valentina, parou por um segundo, e então abaixou os óculos escuros até o nariz, analisando Valentina de cima a baixo.
Valentina se aproximou com um sorriso leve.
— Faz anos que não nos vemos. Não me reconheceu?
— Caramba! — A mulher exclamou, os olhos marcados por uma maquiagem pesada se arregalando. — Faz anos que não te vejo, e você não envelheceu nem um pouco!
Valentina tinha apenas 30 anos. Ainda não era exatamente velha, mas a reação exagerada a fez rir por dentro.
— Sua pele está incrível. Quantas sessões de skinbooster você fez? — A mulher se inclinou, analisando cada detalhe do rosto de Valentina com um olhar minucioso. — Você fez preenchimento no nariz? E os seios? Ficaram tão naturais! Onde fez? Me passa o contato.
Valentina olhou para a amiga, que continuava tão espalhafatosa quanto antes, e suspirou com resignação.
— Eu não fiz nada disso.
— Impossível! — A mulher soltou um grito quase desesperado. — Eu não acredito. Se você não fez nada e ficou assim, o que sobra para nós, atrizes, com todas essas intervenções?
— 1 milhão e 200 mil.
Jane arregalou os olhos, chocada.
— Quanto? O que você disse?
— 1 milhão e 200 mil. — Valentina repetiu calmamente. Ela fez uma pausa e acrescentou. — E, claro, vou pagar sua previdência e te dar férias anuais.
Jane se endireitou no banco, com uma expressão séria.
— Para. Se você continuar falando, eu não vou conseguir me segurar. Vou acabar te chamando de chefe agora mesmo.
Valentina riu, satisfeita.
...
Vinte minutos depois, Valentina e Jane chegaram à casa dela.
Estacionado em uma vaga na rua, logo em frente à entrada, havia um Rolls-Royce limusine.
Valentina lançou um olhar indiferente para o carro. Não precisou perguntar para saber que Lucas tinha chegado.
Ela desviou o olhar e curvou os lábios em um sorriso frio.
Era exatamente o que ela esperava. Lucas tinha cumprido o que prometeu: ele disse que viria em uma semana e, como sempre, estava pontual.

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