No banheiro, Marina estava sentada na banheira, brincando com seu patinho de borracha.
— Marina, você não gosta daquele tio? — Valentina perguntou enquanto ensaboava a filha suavemente.
— Gostar dele? — Marina franziu o cenho. — Por que eu deveria gostar dele?
Valentina fez uma pausa e levantou os olhos para observar a filha.
A garotinha inclinou a cabeça redondinha para o lado e continuou:
— Só porque ele é meu pai, eu tenho que gostar dele? Mas eu nem conheço ele direito. Eu nem sei se ele é um bom pai. Por que eu deveria gostar dele?
Valentina sorriu diante da lógica simples, mas afiada, da filha.
— Na minha escola, o pai do Emory bate na mãe dele. Uma vez ele viu o pai beijando outra mulher, e quando contou pra mãe, os dois brigaram feio. Aí o pai bateu na mãe... — Marina fez uma pausa, soprando a espuma que estava na palma da mão, antes de olhar para Valentina.
— O Emory disse que odeia o pai dele, porque o pai trata a mãe dele muito mal.
Marina abaixou os olhos para a água e continuou:
— Mamãe, se você não gosta do meu pai, ele também deve ter feito algo ruim com você. Porque você é tão boazinha, não tem como alguém como você odiar outra pessoa sem motivo.
Valentina ficou parada, olhando para a filha com um misto de espanto e emoção.
— Se ele tratou você mal, então eu também não vou gostar dele.
Valentina sentiu o coração aquecer. Ela acariciou a cabeça da filha com carinho.
— E se ele tratar você bem, Marina? O que você acha?
Marina voltou a franzir o cenho, pensativa.
— Se ele me tratar bem, eu tenho que gostar dele?
Por outro lado, se Lucas não conseguisse conquistar a confiança de Marina, Valentina não seria tão ingênua a ponto de forçar a filha a aceitá-lo.
Ela acreditava que os sentimentos, sejam eles de amor, amizade ou parentesco, precisam ser recíprocos para durarem.
— Entendi. — Marina piscou os olhos grandes e curiosos. — Mas eu ouvi o padrinho dizer que ele está vindo aqui todo dia porque quer levar a gente de volta pra Cidade B. É verdade?
— É, ele quer isso. — Valentina confirmou com um leve aceno, mas depois fez uma pausa e completou. — Mesmo que eu volte, não vou me reconciliar com ele.
— Se vocês não vão ficar juntos, por que voltar com ele, então?
— Porque eu nasci em Cidade B, e sua avó também. Além disso, tenho uma casa lá, meu trabalho e uma amiga que eu valorizo muito.
Valentina parou por um momento, depois olhou para a filha com cuidado.
— Marina, você quer voltar para Cidade B?

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