Valentina desviou o olhar primeiro, encarando a funcionária e explicando:
— Você se enganou. Ele não é meu marido.
— Ah? — A funcionária ficou visivelmente surpresa. Trabalhando com vendas há anos, era a primeira vez que cometia um erro assim. Depois de alguns segundos de constrangimento, conseguiu dizer. — Entendi...
Valentina não deu muita atenção ao incidente. Pegou uma bandeja de costelas bem embaladas do balcão de carnes e se virou em direção à seção de frutas e vegetais.
Lucas observou o movimento dela, o olhar frio e enigmático.
…
Quando voltaram à Villa Monteverde, já passava do meio-dia.
Valentina foi direto para a cozinha preparar o almoço. Gabriel ficou na sala, entretido com seus novos brinquedos.
Valentina havia acabado de amarrar o avental quando a porta de vidro da cozinha foi aberta. Ela se virou e viu Lucas entrando.
— Alguma coisa? — Perguntou ela, sem esconder a impaciência.
Lucas lançou um olhar para os ingredientes sobre a bancada e disse em tom calmo:
— Precisa de ajuda?
— Não. — Valentina respondeu, voltando-se para as tarefas, sem sequer olhar para ele.
Lucas ficou parado por alguns instantes, observando-a em silêncio, e depois saiu da cozinha.
Valentina abriu a torneira e começou a lavar os vegetais, mas logo Lucas voltou.
— Use isso.
Valentina parou de lavar os alimentos e olhou para o par de luvas de plástico que ele estendia para ela. Suas sobrancelhas franziram ligeiramente.
— A queimadura no dorso da sua mão ainda está recente. É melhor usar luvas para proteger a pele.
Ao ouvir isso, Valentina olhou para a pequena área avermelhada em sua mão. A nova camada de pele ainda parecia sensível.
Ela pegou as luvas sem muito entusiasmo e respondeu friamente:
— Obrigada. Agora, você pode sair?
Lucas não disse mais nada e deixou a cozinha.
Gabriel tinha pedido vários pratos diferentes, mas, considerando que ele estava se recuperando de uma pneumonia, Valentina escolheu opções mais leves e nutritivas.
Ao longo dos anos, ela havia estudado inúmeras receitas que eram perfeitas para crianças com estômagos sensíveis, como Gabriel.
Cozinhar era um trabalho cansativo, mas, depois de cinco anos, Valentina já fazia tudo com naturalidade.
Depois de cerca de uma hora, os pratos estavam prontos e colocados na mesa.
— Mamãe, por que você não deu pudim para o papai hoje? — Perguntou Gabriel, com a curiosidade de uma criança.
Valentina parou de pegar comida por um instante.
— Seu pai já é adulto. Ele pode pegar o que quiser sozinho.
— Mas por que você dava antes? — Gabriel a olhou com inocência. — Mamãe, vocês dois brigaram?
— Não brigamos.
Valentina respondeu no exato momento em que Lucas voltava da cozinha. Ao ouvir aquelas palavras, seu rosto, que estava fechado, relaxou visivelmente.
Ele se sentou novamente, pegou um pedaço de linguiça com o garfo e começou a mastigar devagar, os olhos fixos em Valentina.
Apesar da expressão aparentemente neutra, havia um traço de satisfação em seu comportamento. Era claro que ele estava de melhor humor.
Infelizmente, Valentina sequer olhou para ele durante toda a refeição.
Ela não estava com muito apetite nos últimos dias. Comeu pouco, mas tomou bastante sopa.
— Mamãe! Hoje à noite quero dormir com você! — Gabriel anunciou de repente enquanto devorava uma costela. — Não saia de casa, tá bom? Fica comigo!
Ao ouvir isso, Valentina colocou os talheres sobre a mesa. Ela sabia que era hora de esclarecer as coisas.
Esperou pacientemente Gabriel engolir a comida antes de começar a falar.

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