— Você acha que consolar vai adiantar alguma coisa? — Lívia gritou, e logo depois começou a chorar desesperadamente. — Toda vez que eu penso que perdi a memória e me entreguei pra alguém, me dá uma tristeza enorme! Buááá! E quando eu fecho os olhos, tudo que vejo é o Tomas chorando como um louco, pedindo leite! Eu tô acabada! Minha liberdade acabou! Buááá…
Valentina lançou um olhar para Marcos.
Marcos imediatamente entendeu o recado, deu meia-volta e saiu do quarto. Ele pegou o celular e ligou para Eduardo sem perder tempo.
...
Valentina levou Lívia para um quarto no andar de cima e passou um bom tempo tentando acalmá-la. Só depois de muito esforço, Lívia começou a se tranquilizar.
— Coloque isso nos olhos, ou eles vão ficar inchados. — Valentina entregou uma toalha morna para ela.
Lívia, sentada na cama, pegou a toalha e a pressionou contra os olhos.
Valentina sentou-se ao lado dela, observando-a por um momento antes de perguntar suavemente:
— Quando você recuperou a memória?
— Ultimamente, eu vinha sonhando muito com coisas do nosso passado. Aí, ontem à noite, briguei com o Eduardo de novo. Passei a noite inteira sem dormir. Quando me levantei de manhã, estava tonta, tropecei, bati a cabeça e, de repente, tudo voltou.
— Você bateu a cabeça? — Valentina franziu a testa, visivelmente preocupada. — Foi ao hospital?
— Não, foi só na parte de trás da cabeça. Não foi nada sério.
— Mesmo assim, você precisa tomar cuidado. Sua cabeça já sofreu um trauma antes, e ainda está sensível. — Valentina falou com um tom sério. — Quando o Eduardo chegar, nós dois vamos te levar ao hospital para fazer um exame.
— Eduardo vai vir aqui? — Lívia tirou a toalha dos olhos, franzindo a testa e exclamando com raiva. — Não quero que ele venha! Não quero nem ver a cara dele!
— Lívia, vocês são casados agora. Se há problemas, vocês precisam resolver juntos.
Lívia soltou um riso frio.
— Casados? Você sabe muito bem como esse casamento aconteceu!
— Mesmo que você estivesse sem memória, gostar de alguém não é algo que desaparece sem motivo. Agora que recuperou as lembranças antigas, você ainda tem as memórias dos últimos quatro anos, certo? — Valentina segurou a mão dela com firmeza. — Lívia, você só está em conflito porque ainda não conseguiu se ajustar. Mas os sentimentos que você desenvolveu durante esses quatro anos são reais, e, no fundo, você sabe disso.
— Eduardo, sabia que violência contra o homem também é considerada agressão doméstica? O problema é que eu não faço ideia se a delegacia cuidaria de um caso desses…
Dentro do quarto, Valentina se abaixou, pegou a toalha do chão e foi abrir a porta.
Eduardo estava parado do lado de fora, com uma expressão tensa. Ele olhou para Valentina e perguntou, hesitante:
— Ela recuperou a memória, não foi?
— Sim. — Valentina confirmou, soltando um suspiro.
O rosto de Eduardo ficou rígido, como se ele estivesse processando a informação.
— Lívia está muito instável agora. — Valentina explicou. — Deixe ela se acalmar um pouco. Vamos descer e conversar.
Eduardo lançou um último olhar para Lívia, que estava sentada na cama de costas para a porta, e assentiu.
— Tudo bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...