No andar de baixo, Valentina e Eduardo se sentaram em lados opostos à mesa.
Marcos, em silêncio, preparava café.
— Somos todos amigos aqui, então vou direto ao ponto. Eduardo, você não se importa, né? — Disse Valentina.
Eduardo deu um sorriso cansado.
— No momento, estou mais nervoso que todo mundo. Estou contando com vocês para me ajudarem a entender o que está acontecendo.
— Acho que a Lívia está com sinais de depressão pós-parto.
Eduardo congelou ao ouvir aquilo.
— A questão da memória e os hormônios são parte do problema. — Continuou Valentina. — Mas acho que a forma como vocês têm lidado com ela também pode estar contribuindo.
Eduardo, sendo médico, sabia muito bem que a depressão pós-parto era um problema enfrentado por muitas mães de primeira viagem. Ele já tinha lido estudos, assistido palestras e acompanhava casos no trabalho.
Mas ele nunca imaginou que Lívia pudesse estar passando por isso. Desde a gravidez até o parto, ele acreditava que tinha feito tudo o que era possível para garantir o bem-estar dela. Ele havia estudado, se preparado, feito sacrifícios.
Agora, porém, Eduardo estava confuso e perdido.
— A Lívia sempre foi contra casamento, contra ter filhos. Eduardo, ela está se sentindo presa. Sem liberdade. — Valentina disse, com a voz calma, mas firme.
Eduardo franziu a testa, sentindo o peso das palavras. Ele apertou as mãos no colo, e sua voz saiu amarga:
— Então, ela está assim porque acha que eu e o Tomas prendemos ela?
Valentina não negou, mas também não queria que Eduardo se sentisse culpado. Ela sabia que Lívia gostava dele, mas também entendia que Lívia precisava de tempo e paciência para processar tudo o que estava vivendo.
— Eduardo, eu sei que essa ideia não é justa, mas você precisa entender que, para a Lívia, é como se ela estivesse dividida em duas versões de si mesma agora. A Lívia do passado, que nunca quis casar ou ter filhos, está em conflito com a Lívia dos últimos quatro anos. Ela precisa de tempo para se adaptar, para entender o que está sentindo.
Valentina olhou diretamente para Eduardo, seu olhar sério e cheio de significado.
— Sei que não vai ser fácil para você, mas espero que tenha paciência. A Lívia gosta de você, Eduardo. Isso é óbvio. Mas mudar a forma como enxergamos a vida não acontece de um dia para o outro.
Eduardo respirou fundo, passando a mão pelos cabelos.
— Entendi. Obrigado por me dizer isso. Vou tentar conversar com ela de forma mais tranquila.
Ele se levantou e disse:
— Vou subir e falar com ela agora.


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