O choro de Tomas, no fim, acabou despertando o instinto maternal de Lívia. Ela pegou o filho nos braços e caminhou até o sofá. Enquanto o embalava para acalmá-lo, sua voz saiu embargada de emoção:
— Eduardo, você pode sair, por favor?
— Lívia…
— Por favor, sai. — Ela abaixou a cabeça, a voz baixa, quase implorando. — Considera isso um pedido meu.
Eduardo fitou as costas de Lívia, com uma expressão de impotência. Ele sabia que naquele momento não havia mais nada que pudesse fazer, a não ser respeitar a vontade dela.
— Você ainda não jantou. Quer que eu prepare algo pra você? — Eduardo perguntou, tentando quebrar a tensão.
Lívia permaneceu em silêncio. Eduardo suspirou, abriu a porta do quarto e saiu.
Assim que a porta se fechou, as lágrimas de Lívia começaram a cair novamente. Ela levantou a mão e enxugou o rosto com pressa, irritada consigo mesma. Ela odiava esse lado vulnerável, essa facilidade com que as emoções transbordavam. No entanto, ao olhar para o rostinho macio e sereno de Tomas, sentiu o coração amolecer outra vez.
Meia hora depois, Tomas finalmente dormiu profundamente. Lívia, com cuidado, começou a se levantar para colocá-lo no berço, mas a porta do quarto se abriu.
Eduardo enfiou a cabeça pela fresta e perguntou baixinho:
— Amor, o Tomas já dormiu?
Lívia lançou-lhe um olhar rápido, mas não respondeu. Ela se levantou, ainda com Tomas nos braços.
Eduardo entrou no quarto, fechando a porta com cuidado para não fazer barulho.
— Deixa que eu faço isso. — Ele se aproximou e, com habilidade, pegou Tomas do colo de Lívia.
Tomas, depois de estar alimentado, sempre dormia pesado, indiferente ao que acontecia ao redor.
Eduardo o colocou no berço com delicadeza e ajeitou o cobertor sobre o pequeno corpo do filho.
Lívia, sem dizer uma palavra, virou-se e foi para o banheiro. Seus olhos estavam inchados e doloridos de tanto chorar ao longo do dia. Assim que abriu a torneira para lavar o rosto, ouviu a porta do banheiro sendo aberta.
Ela ergueu a cabeça e viu Eduardo entrando, refletido no espelho.
Nos últimos quatro anos, a intimidade do casal havia se tornado tão profunda que bastava um olhar para que entendessem o que o outro estava pensando.
— Foi você que, sem pedir minha permissão e sem avisar seus pais, segurou minha mão em público e declarou para todo mundo que eu era o seu namorado.
Ela continuava quieta, mas Eduardo não parava.
— E o nosso primeiro beijo? Foi você que veio pra cima de mim. — Ele fez uma pausa, com um tom quase de mágoa. — Até mesmo a nossa primeira vez… Foi você quem insistiu. Eu, pelo menos, queria esperar até a noite de núpcias.
— Eduardo! — Lívia explodiu, avançando para ele com as mãos no pescoço dele. — Cala essa boca! Você acha que, se você não quisesse, eu teria conseguido alguma coisa? Para de bancar o inocente! Quem fingia ser um cavalheiro aqui era você!
— Mas eu queria! Nunca disse que eu não queria…
Lívia estava à beira de perder a paciência.
— Eu vou te matar, Eduardo!
Enquanto ela apertava o pescoço dele, Eduardo aproveitou a situação para abraçá-la com força. Ele estava ficando vermelho, quase sem ar, mas o sorriso malicioso não desaparecia de seu rosto.
— Pode me matar, mas eu nunca vou largar você, amor. Você é a mulher da minha vida, Lívia. Eu te amo!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...