Tomas estava sendo alimentado exclusivamente com leite materno. Sem Lívia em casa, a babá não teve outra escolha senão preparar fórmula infantil. Mas Tomas era teimoso. Se não fosse o leite materno, ele simplesmente não aceitava. Com a boca aberta, chorava o mais alto que conseguia.
Lívia chegou correndo, tão aflita que nem trocou os sapatos. Ela foi direto até a babá e pegou o filho nos braços.
— Não chora, meu amor, a mamãe tá aqui agora…
Enquanto isso, Simão e Mariana, que haviam corrido para ajudar assim que souberam que Lívia tinha deixado a casa, estavam de mãos atadas. O bebê, com pouco mais de três meses, só queria o leite materno e, para eles, só restava assistir à situação sem poder fazer nada.
Com Lívia de volta, Mariana não conseguiu segurar a língua e logo começou a repreendê-la.
— Lívia, você já é mãe! Que história é essa de sair de casa como uma adolescente irresponsável? O Tomas tem só três meses, e você teve coragem de deixá-lo assim?
O choro estridente de Tomas se misturava aos sermões de Mariana, e a cabeça de Lívia parecia prestes a explodir. Irritada, ela abraçou o filho com força e caminhou diretamente para o quarto principal.
A porta se fechou com um estrondo, claramente expressando a raiva que ela sentia.
Mariana ficou paralisada por um instante, mas logo se recuperou e ficou ainda mais furiosa.
— Vocês estão vendo isso? Ela está cada vez mais impossível! Como eu nunca percebi antes que ela era tão sem noção?
Simão franziu o cenho e tentou acalmá-la.
— Mariana, pega mais leve. A Lívia agora é mãe, mas isso não significa que você pode tratá-la como se ainda fosse uma criança. Ela precisa de espaço.
— Ah, agora a culpa é minha? — Mariana virou a raiva para Simão. — Sua filha larga o bebê de três meses e eu é que estou errada? Vou te dizer uma coisa, Simão: essa personalidade mimada dela é toda culpa sua!
Eduardo se aproximou com as pantufas de Lívia nas mãos, tentando apaziguar a situação.
— Mariana, por favor, não fique chateada. A culpa é minha. A Lívia só ficou sobrecarregada e precisou de um tempo para respirar. Ela ama o Tomas, sim.
Mariana, ao ouvir Eduardo defendendo Lívia, se sentiu um pouco mais tranquila. Mas isso só fez com que ela achasse a filha ainda mais ingrata.
— Essa menina não sabe a sorte que tem. — Mariana suspirou, balançando a cabeça. — Enfim, já que ela voltou, eu vou embora. Ela claramente não quer a minha presença aqui. Eduardo, tenha paciência com ela, por favor. Eu e Simão já vamos.
Eduardo soltou um leve suspiro de alívio.
Lívia enxugou o nariz com a mão e tentou parar de chorar, mas era inútil. As lágrimas continuavam caindo.
— Lívia? — Eduardo chamou com a voz suave.
Ele se ajoelhou ao lado dela e colocou as pantufas ao lado de seus pés.
Lívia se virou bruscamente, dando as costas para ele. Então, gritou, em um surto de emoções:
— Seu aproveitador! Seu pervertido! Eu estou amamentando, quem te deu permissão pra entrar aqui? Sai daqui agora!
O grito de Lívia assustou Tomas, que soltou o peito e começou a chorar alto.
Agora eram dois choros na mesma sala, um maior que o outro.
Eduardo ficou desesperado. Quem ele deveria acalmar primeiro?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...