Lucas até se lembrou de algo que Valentina havia dito para ele uma vez:
“Lucas, você nem consegue diferenciar se sua filha está brava ou só fazendo charme pra você.”
Então, Marina estava fazendo charme agora? Lucas não tinha certeza, mas sabia que precisava tentar entender. Essa era a responsabilidade dele como pai.
Ele olhou para Marina, que parecia uma bonequinha de tão fofa, e, com a voz cheia de ternura, disse:
— Meu amor, quero um abraço seu. Posso?
Marina piscou os olhos, percebendo que o pai realmente não tinha nenhuma noção de como agradar uma criança. Mas tudo bem. Se ele não sabia, ela mesma podia ensinar!
— Papai, se você quer me abraçar, primeiro precisa dizer que eu sou muito fofa.
Lucas, disposto a aprender, respondeu com seriedade:
— Meu amor, você é muito fofa. Agora posso te abraçar?
— Pode! — Respondeu Marina, abrindo os braços com generosidade.
Os olhos de Lucas brilharam com uma mistura de surpresa e alegria. Então era assim que se agradava uma criança?
Ele estendeu os braços e a puxou para seu colo.
Marina se acomodou nas pernas dele e, ao chegar perto, seu pequeno narizinho se contraiu levemente. Ela sentiu um cheiro diferente vindo do pai, algo que parecia vagamente familiar.
— Esse cheiro me lembra o tio Bastian e o consultório dele... Lá eles sempre fazem remédios pros pacientes. Papai, você tá tomando remédio? — Perguntou Marina, com curiosidade.
Lucas ficou surpreso com o olfato apurado da filha, mas manteve a calma e respondeu com naturalidade.
— Estou, meu amor. É porque eu tô com uma inflamação na garganta. Tô tomando remédio pra melhorar.
— Ah, tá. — Marina aceitou a explicação, achando normal que pessoas doentes precisassem tomar remédio. Depois de um instante, seus olhos brilharam com outra ideia, e ela perguntou. — Papai, você pode me levar pra escola na segunda-feira?
Lucas arqueou a sobrancelha, surpreso com o pedido.
— Por que você quer que eu te leve pra escola de repente?
— Porque o papai da Helga leva ela pra escola todo dia. Eu não tô com inveja, tá? É que eu falei pra ela que você é mais bonito que o pai dela, mas ela não acredita! Ela até disse que eu não tenho pai!
Lucas estreitou os lábios, ficando em silêncio por um momento.
— Mas o seu padrinho Marcos não te leva pra escola com frequência? — Ele perguntou.
— Sim, mas padrinho é padrinho. Papai é papai. Lá na escola todo mundo sabe a diferença! — Marina explicou, com a lógica simples e direta de uma criança.
Lucas não respondeu imediatamente.



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