Noah e Lucas trocaram um olhar cúmplice, sorriram e não discutiram com Marina.
— Isso mesmo, Marina é a irmã mais velha. — Lucas disse, com um tom carinhoso para agradar a filha. — Noah, você sempre deve ouvir sua irmã e protegê-la, tá bom?
— Vou sim! — Respondeu Noah com uma expressão muito séria. Talvez por já estar vivendo com Lucas há algum tempo, seus traços e o jeito de olhar estavam ficando cada vez mais parecidos com os do pai.
Marina, no entanto, não gostou da ideia e retrucou:
— O Noah é medroso, e eu sou corajosa. Sou eu que vou proteger o Noah!
Lucas não conseguiu segurar o riso.
— Tá bom, você protege o Noah.
Marina, como sempre, não parava por aí.
— Papai, será que o Noah pode estudar na mesma escola que eu? Aí eu posso ficar de olho nele o tempo todo. Se algum coleguinha chato tentar bater nele, eu tô lá pra protegê-lo!
Marina era uma tagarela nata, sempre falava o que vinha à cabeça.
Lucas, embora estivesse aproveitando aquele precioso momento com os filhos, percebeu que já era hora de colocá-los para dormir.
— Um dia pode ser que isso aconteça, meu amor. Mas, por agora, precisamos dormir. — Ele bagunçou os cabelos da filha e completou. — Vou pegar um livro de histórias. Quero vocês deitados direitinho até eu voltar, combinado?
— Combinado! — Marina respondeu animada, virando-se para encontrar um lugar confortável na cama. Noah, mais tranquilo, também se acomodou.
Lucas foi até o escritório, pegou um livro de histórias e voltou ao quarto. Ao entrar, viu que os dois pequenos estavam deitados direitinho, com um espaço no meio da cama, como se estivessem esperando que ele se deitasse ali.
Ele sorriu e, tirando os sapatos, deitou-se no espaço entre os dois.
Os dois irmãos, como se tivessem ensaiado, viraram ao mesmo tempo. Pequenas mãos e pés se acomodaram sobre as pernas de Lucas, e ambos fecharam os olhos, claramente prontos para ouvir a história até dormirem.
Lucas sentiu os olhos ficarem quentes. Ele abriu o livro, engoliu em seco e reprimiu a onda de emoções que ameaçava transbordar. Com a voz baixa e calma, começou a leitura:
— Era uma vez, em uma floresta distante, duas irmãs coelhinhas um pouco atrapalhadas...
...
Enquanto isso, na madrugada silenciosa, Valentina estava deitada sozinha em sua cama, virando de um lado para o outro sem conseguir dormir.
Sem Marina ao seu lado, ela sabia que seria uma noite de insônia.
O psicólogo já havia dito que isso era um problema que ela precisava enfrentar sozinha, algo que só ela poderia superar.
O frasco de comprimidos para dormir estava na gaveta ao lado da cama. Bastava tomar um e tudo ficaria mais fácil.

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