— Hmm, o Noah tá aqui, eu fico por perto, assim os dois podem ver os pais sempre que quiserem.
— Você só pensa nas crianças, né? — Lívia respondeu, com um tom de leve frustração. — Será que é porque o Tomas ainda é pequeno? Eu sinto que não tenho muito senso de responsabilidade com ele… Ultimamente, eu tenho pensado loucamente em desmamar. Valentina, eu simplesmente não quero ser dona de casa.
— Amamentar é um processo cansativo para a mulher. — Valentina comentou, compreensiva.
— Na verdade, não é nem questão de ser cansativo ou não. — Lívia continuou. — Além de amamentar o Tomas e, de vez em quando, brincar ou pegá-lo no colo, todo o resto fica por conta da babá ou do Eduardo. Desde que o Tomas nasceu, eu nunca troquei uma fralda. Se você me pedisse para trocar agora, eu aposto que nem saberia por onde começar.
— O Eduardo é um pai muito dedicado. — Valentina deu um leve toque na testa da amiga. — Por isso, para de reclamar tanto dele. Dá pra ver que você gosta dele, só que você se aproveita do fato de ele te paparicar pra poder descontar nele.
— Ele que aguente! — Lívia rebateu, com teimosia. — Mesmo que eu goste dele, é só um namoro, tá? Quem disse que eu quero casar com ele? Ele se aproveitou da minha amnésia pra me enganar com a ajuda da minha mãe!
— E o que sua mãe tem a ver com isso?
— Como assim “o que tem a ver”? — Lívia sentiu o sangue subir à cabeça. — Você não faz ideia! Desde que eu casei e engravidei, minha mãe quer se meter em tudo! No começo da gravidez, eu tinha muito enjoo, não conseguia comer nada, mas adorava as comidas das barraquinhas de rua. E o que minha mãe fazia? Proibia! Eduardo não me proibiu, ele até me levava escondido pra comer quando ela não tava por perto. Mas quando a gente voltava, ela descobria de alguma forma e começava a me dar sermão. Dizia que eu não tinha maturidade, que já era mãe e precisava me cuidar pelo bem do bebê. E se eu retrucasse? Ela começava com aquele discurso de como sofreu na gravidez comigo, como se fosse uma competição de sofrimento!
Lívia suspirou profundamente, exausta só de lembrar.
— Você pensa igualzinho a mim! — Lívia respondeu, com entusiasmo. Depois hesitou por um momento e completou. — Mas eu não quero mais voltar pra trabalhar no hospital.
Valentina ficou surpresa.
— Você passou anos se dedicando pra ser médica. Se esforçou tanto pra virar plantonista fixa. Você tá disposta a abrir mão de tudo isso?
— Me dediquei muito, sim. Mas isso não significa que eu goste do que faço. — Lívia suspirou. — O que eu gosto de verdade é fotografia. Mas a minha mãe insistiu que eu tinha que fazer medicina.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...