— De quem é esse menino? — Marcos se levantou, curioso, olhando para fora da porta. — Isso aqui nem é prédio residencial. Como pode uma criança estar correndo por aí?
— Ele veio me procurar.
— Procurar você? — Marcos virou a cabeça, surpreso. — Mas ele está te chamando de mãe... Espera aí, você? Você já foi casada? E o filho já está tão grande?
— Estou me divorciando. E esse menino não é meu.
Valentina não queria entrar em detalhes, tampouco sair para encarar Gabriel.
— Vai lá e diz pra ele que eu não estou aqui. Eu não vou sair.
Antes que Marcos pudesse fazer mais perguntas, Valentina virou-se e entrou na sala de restauração.
Marcos piscou, intrigado, mas, curioso, foi até a porta.
Gabriel, ao ver alguém se aproximando, achou que fosse Valentina. Mas, assim que viu Marcos, o sorriso que começava a se formar desapareceu instantaneamente.
A porta de vidro do estúdio era automática, mas, por segurança, Valentina e Marcos haviam mantido a porta trancada por dentro nos últimos dias, já que passavam a maior parte do tempo na sala de restauração.
Marcos apertou o botão para destravar a porta, que se abriu lentamente.
Gabriel ficou parado, olhando para o homem à sua frente, com a cabeça levemente inclinada para cima enquanto o analisava.
“Este homem tem mais ou menos a altura do papai”, pensou Gabriel. “Mas, fora a altura, ele não parece nada com o papai.”
Ele continuou comparando mentalmente:
“O papai gosta de usar preto, sempre está de óculos e é muito bonito, mas também muito sério.
Já este homem tem a pele muito boa, os olhos tão bonitos quanto os da tia Lívia, e, além disso, parece ser muito mais jovem que o papai...”
Quanto mais Gabriel comparava, mais crescia dentro dele uma sensação incômoda.
Será que Valentina queria se divorciar do papai porque achava que ele era velho demais?
Marcos olhou para o menino, que permanecia em silêncio, e franziu ligeiramente a testa.

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