Lucas estava parado do lado de fora, com sua expressão sempre fria e distante emoldurando os traços marcantes de seu rosto.
— Eu vou viajar a trabalho nos próximos dias. Cecília não consegue lidar com ele sozinha, então vou precisar que você cuide do Gabriel por mais uns dias.
Valentina não estava se sentindo bem e, por isso, sua paciência com Lucas era nula.
— Tudo bem. Quando voltar para buscá-lo, lembre-se de trazer o acordo de divórcio.
Depois de dizer isso, ela segurou Gabriel nos braços e voltou diretamente para o escritório, sem olhar para trás.
Lucas permaneceu parado por alguns instantes, observando em silêncio. Em seguida, ele fechou a porta do estúdio e foi embora.
…
Dentro da sala de descanso, Valentina colocou Gabriel no chão e soltou um longo suspiro.
— Tire o casaco e vá dormir.
Gabriel, que naquele momento estava bem mais calmo, obedeceu prontamente. Ele tirou o casaco e o entregou para Valentina com um sorriso no rosto.
— Mamãe, pode pendurar para mim, por favor? Obrigado!
Gabriel sempre tinha um jeitinho doce com as palavras.
Valentina sorriu de leve, pegou o casaco e o pendurou no cabide.
Os dois se deitaram na cama, e Gabriel abraçou o braço de Valentina com força.
— Mamãe, você está brava porque eu fui ver aquela mulher?
Valentina ficou surpresa com a pergunta dele, mas logo suspirou e o puxou para um abraço. Com uma voz suave, ela tentou orientá-lo:
— Ela é a mãe que te deu à luz, meu amor. Sei que deve ser difícil para você aceitar isso agora, mas, sem ela, você não estaria aqui. Então, não fale dela usando expressões como aquela mulher, está bem?
As palavras de Valentina dissiparam boa parte da insegurança que Gabriel sentia.
Ele havia ficado preocupado quando percebeu que Valentina não voltou para casa na noite anterior. Chegou a pensar que ela estava brava e que não o queria mais. Mas, felizmente, era só coisa da cabeça dele.
Gabriel fechou os olhos, satisfeito.
— Mamãe, não importa quem me deu à luz, eu sempre vou te amar mais. Você é a melhor mãe do mundo.
O coração de Valentina se derreteu, e ela acariciou o rostinho adorável dele.
— Eu sei, meu amor. E prometo que, enquanto você precisar de mim, eu sempre estarei aqui.
— Mamãe, você prometeu, hein! — Gabriel respondeu, soltando um bocejo. — Não pode mentir, senão o nariz fica comprido!
Valentina riu baixinho com a observação dele. O cansaço e a irritação que sentia começaram a desaparecer.
Ela abaixou o rosto e deu um beijo carinhoso na testa de Gabriel.
— Eu nunca vou mentir para você. Boa noite, meu amor.
O que respondeu Valentina foi o som da respiração tranquila de Gabriel, que já havia adormecido.
…
Era período de férias, então Gabriel não precisava ir para a escola.
No dia seguinte, o estúdio de Valentina recebeu mais uma peça para restauração. O trabalho era bem pago, mas, como sempre, o prazo era apertado.
Nos dois dias seguintes, Gabriel passou quase todo o tempo no estúdio com Valentina. Enquanto ela trabalhava, Ana e os outros funcionários ajudavam a cuidar do menino.
Gabriel já estava familiarizado com o ambiente do estúdio, pois nos últimos dois anos ele costumava ir lá com frequência e se dava muito bem com todos.
Na tarde do terceiro dia, por volta das duas horas, Valentina finalmente terminou o trabalho de restauração.
Ao sair da sala de restauração, ela caminhou em direção ao escritório enquanto digitava uma mensagem no celular para sua melhor amiga, Lívia Almeida, que trabalhava como ginecologista obstetra.
Valentina: [Você está no trabalho hoje à tarde?]
Lívia: [Sim! Por quê?]


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