— Trabalho nunca acaba, mas roupa nova no Ano Novo é essencial. Renovar o guarda-roupa traz sorte e harmonia para o próximo ano! — Camila falou enquanto empurrava Valentina para dentro do provador. — Vai, experimenta! Eu espero aqui fora.
O corpo de Valentina era impecável. Qualquer roupa no tamanho certo ficava perfeita nela.
A última peça era um vestido justo, que delineava bem a silhueta.
Camila se aproximou, tocou a cintura e o abdômen de Valentina e perguntou:
— Esse aqui não está apertado?
Valentina ficou tensa.
Ela ainda não tinha barriga aparente, mas, ao sentir a mão da mãe em seu abdômen, o nervosismo tomou conta.
Por sorte, Camila logo retirou a mão, franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça.
— É bonito, mas está muito justo. Deve ser desconfortável. Experimenta um modelo mais soltinho.
Era verdade. Como restauradora de arte, Valentina precisava de roupas que permitissem liberdade de movimento.
Ela olhou discretamente para a mãe. Ao perceber que Camila parecia normal, sem desconfianças, Valentina soltou um suspiro aliviado. Talvez fosse só paranoia dela.
No fim, tirando o vestido justo que não levaram, Camila escolheu cinco peças e Valentina comprou todas.
Depois de passar o cartão para pagar, Valentina levou Camila até a loja de moda para mulheres mais maduras, ao lado.
No final, Valentina comprou mais cinco roupas e dois pares de sapatos novos para a mãe.
Enquanto elas estavam no caixa, entrou na loja uma mãe acompanhada de sua filha. Eram Fernanda, tia de André, e Alice, filha dela, ambas da família Paiva.
Assim que Fernanda e Alice notaram Valentina e Camila, trocaram olhares e se posicionaram discretamente em um canto, observando-as.
— Senhora, o total ficou em um milhão e quinhentos e setenta mil reais. — Informou a atendente.
Valentina entregou o cartão para a vendedora.
Camila tentou impedir, aflita:
— É muito caro! Valentina, você é jovem, dona de um estúdio, e usar roupas de marca faz sentido pra você. Mas eu já sou de idade, mal saio de casa. Qualquer roupa simples serve pra mim!
Valentina lançou um olhar para ela e disse:
— Mãe, agora há pouco, quando você estava me convencendo a comprar roupas, não pensava assim.
— É que eu fico com dó de você... — Camila murmurou.
— E eu também fico com dó de você. — Valentina respondeu com firmeza, entregando o cartão novamente para a atendente. — Pode cobrar e mandar tudo para este endereço.
A atendente pegou o cartão com ambas as mãos e respondeu com um sorriso:
Valentina olhou ao redor, tentando encontrar algo suspeito, mas não viu nada fora do comum.
Nesse momento, seu celular vibrou novamente. Era Lucas ligando.
Ao lembrar das coisas que ouviu na noite anterior, do lado de fora da sala privativa, Valentina apertou o botão de recusar a chamada e guardou o celular na bolsa.
Naquele ponto, ela sabia que não tinha como pedir ajuda a Lucas novamente.
…
Depois de terminar as compras, Valentina e Camila voltaram para o Paz do Monte.
Aquela tarde foi dedicada a decorar a nova casa. As duas passaram do meio-dia até o anoitecer ocupadas com os preparativos.
Quando terminaram, olharam para a casa decorada com um ar festivo e sorriram enquanto se abraçavam.
Na hora do jantar, Camila sugeriu fazer uma pizza. Nem Valentina nem Camila sabiam preparar pizza direito. O resultado foi um prato com uma aparência e sabor medianos. Mesmo assim, as duas se divertiram e comeram felizes.
Depois do jantar, Valentina disse que precisava voltar ao hospital, mas Camila insistiu para que ela passasse a noite em casa.
Valentina percebeu algo estranho. Franziu as sobrancelhas e encarou a mãe.
— Mãe, você está diferente hoje. Está escondendo alguma coisa de mim?

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