Camila franziu a testa e lançou um olhar de leve reprovação para Valentina.
— O que eu poderia estar escondendo de você? Sou uma pessoa à toa, sem segredos!
Valentina ainda parecia preocupada.
— Mãe, se houver algo que você precise me contar, não guarde para si, por favor.
— Eu estou bem, de verdade. Se tivesse algo, eu seria a primeira a te contar. — Camila sorriu e acrescentou. — Valentina, a coisa que mais me orgulha e me dá alegria nesta vida é ter você como filha. Eu não fui capaz de te dar uma infância ao meu lado, e te mandei para o interior, para viver com seu avô. Mas, pelo menos, ele fez de você a pessoa incrível que é hoje.
— Mãe, não diga essas coisas. — Valentina respondeu, franzindo as sobrancelhas. — Você não teve escolha. Mesmo que eu tenha sido mandada para longe, sei que você sempre dava um jeito de me visitar escondida da família Paiva. Eu sabia que, no fundo, você se preocupava muito comigo.
Camila passou a mão no cabelo de Valentina com carinho.
— Valentina, o que eu mais desejo agora é que você seja feliz. Não importa a decisão que você tome, eu sempre vou te apoiar.
Valentina olhou para a mãe, ainda com o coração inquieto.
— Mãe, fica tranquila. — Ela segurou a mão da mãe, que ainda acariciava seu rosto, e apertou com força. — Meu estúdio está indo muito bem, e vou ganhar cada vez mais dinheiro. Depois do Ano Novo, quero comprar uma casa na beira do rio. Lá tem quintais enormes, e eu sei que você adora plantar flores. Vou fazer um jardim lindo pra você. E também podemos construir um lago para criar peixes. Se você quiser, podemos até ter um cachorro ou um gato. Tudo o que você quiser, eu vou fazer acontecer.
Camila ouvia as palavras da filha e, por instantes, se imaginou vivendo aquela vida tranquila e cheia de beleza.
Ela olhou para Valentina, que tinha os olhos brilhando de expectativa, e não teve coragem de dizer nada que pudesse quebrar aquele sonho. Apenas assentiu com um sorriso suave.
— Valentina, minha filha, você é maravilhosa. Só de ouvir seu plano, já fiquei encantada.
Valentina observou a mãe, mas, sem saber o porquê, uma sensação de desconforto crescia dentro dela.
Quase por instinto, ela abriu os braços e abraçou Camila, encostando o rosto no ombro da mãe.
— Mãe, me abraça.
Camila ficou surpresa por um momento, mas logo ergueu os braços e retribuiu o abraço.
— O que houve? Já está bem grandinha para essas coisas, hein?
— Mesmo que eu chegue aos oitenta anos, ainda serei sua filha! — Valentina disse de forma quase infantil. — Você precisa viver até os cem anos, assim, quando eu tiver oitenta, ainda vou ser uma criança com mãe pra cuidar de mim!

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