Valentina abriu a boca, tentando falar, mas sua garganta estava tão seca que ela começou a tossir assim que tentou emitir algum som.
A enfermeira correu para pegar um copo de água e, com cuidado, a ajudou a beber usando um canudo.
Valentina deu alguns goles, sentindo a garganta mais aliviada, e perguntou com urgência:
— As crianças também vieram?
— Vieram, sim! — A enfermeira sabia que Valentina sentia muita falta dos filhos e respondeu com um sorriso. — Vou descer e avisar que você acordou, assim eles podem subir para te ver.
— Não, espere... — Valentina a interrompeu rapidamente, parecendo aflita. — Eu não quero que eles me vejam assim... Eu posso assustá-los.
A enfermeira ficou surpresa, mas logo entendeu o motivo da preocupação.
Nesse momento, a porta do quarto foi aberta. Era Lucas, acompanhado por Eduardo e outros médicos.
— Olha só quem finalmente acordou, nossa estrela da sorte! — Eduardo foi o primeiro a entrar, com seu tom sempre descontraído. — Eu estava dizendo para o Lucas que, se você não despertasse logo, eu ia te sacudir para te contar uma grande notícia.
Os olhos de Valentina ficaram levemente avermelhados.
— Eu já sei...
Lucas se aproximou, sua voz baixa e reconfortante:
— Valentina, o doador foi internado hoje para se preparar. Agora, o Eduardo e a equipe vão começar os preparativos para o transplante. Você vai ficar bem.
Valentina olhou para Lucas, sentindo uma onda de emoção. Suas lágrimas começaram a escorrer sem que ela pudesse controlar.
— Enquanto eu estava dormindo... Marina e Noah deram muito trabalho?
— Não, eles foram muito comportados. — Lucas respondeu com um tom tranquilo. — Mas a sua ausência não passou despercebida. À noite, Marina chorou algumas vezes. Ela ainda é muito apegada a você, então você precisa ser forte por ela.
Valentina respirou fundo, enxugando o nariz com o dorso da mão.
— Eu vou ser forte.
...
Dez dias depois, Valentina e o doador estavam prontos para o transplante.
No dia em que Valentina foi levada para a sala de isolamento, todos os seus amigos e familiares estavam presentes para apoiá-la.
Marina e Noah, ainda muito pequenos, não entendiam exatamente o que era leucemia, mas sabiam que sua mãe estava indo para um quarto especial. Os adultos haviam explicado a eles que, quando a mamãe saísse daquele quarto, ela estaria curada.
Valentina estava deitada na maca quando foi trazida para a área de isolamento.
Os lábios pálidos de Valentina se curvaram em um leve sorriso.
— Lucas, muito obrigada... Por tudo que você tem feito por mim.
Os cílios de Lucas tremeram levemente, mas ele respondeu com firmeza:
— Entre nós, não precisa agradecer.
Eduardo e outros dois especialistas estavam prontos para começar o procedimento.
A enfermeira começou a empurrar a maca de Valentina em direção à sala de isolamento.
Se tudo corresse bem, Valentina precisaria permanecer na sala esterilizada durante os próximos 26 dias, passando por diversas etapas do transplante de medula óssea.
Era um processo extremamente delicado e complicado. Cada dia seria crucial, e Valentina precisaria enfrentar tudo sozinha.
Meia hora depois que Valentina entrou na sala esterilizada, o celular de Lucas vibrou em seu bolso.
Ele atendeu, e uma voz feminina soou do outro lado da linha:
— Lucas, eu cumpri a minha parte do acordo. Agora é a sua vez de cumprir o que prometeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...