Valentina teve um sonho. No sonho, ela e sua mãe estavam jantando juntas na ceia de Ano Novo. Sua mãe elogiava sua habilidade na cozinha.
Valentina sorriu, mas lágrimas começaram a escorrer pelos cantos de seus olhos.
— Mamãe…
Na cama, Valentina franziu as sobrancelhas, encharcando o travesseiro com lágrimas.
Ela murmurava palavras desconexas enquanto suas mãos agarravam com força o tecido de sua blusa, como se estivesse tentando aliviar uma dor insuportável.
No sonho, sua mãe dizia que estava cansada, que o caminho daqui para frente Valentina teria que percorrer sozinha.
Valentina chorava, implorando para que sua mãe não a deixasse, mas, pouco a pouco, a figura dela desaparecia na névoa que encobria o rio, ignorando os gritos e súplicas de Valentina.
— Mamãe!
Valentina acordou sobressaltada, gritando.
Ela olhou para o teto familiar acima de sua cabeça e por um momento ficou confusa.
— Mamãe!
Gabriel, que estava brincando com seus brinquedos no pé da cama, largou tudo e correu até ela.
— Mamãe, você teve um pesadelo?
Valentina olhou para Gabriel, e sua mente, ainda turva, começou a clarear aos poucos.
Ela estava na Villa Monteverde.
Mas… Como ela tinha ido parar ali?
Valentina se apoiou na cama e sentou-se, levando a mão à testa para massagear as têmporas que latejavam.
Ela se lembrava vagamente de ter ido ao rio, de ter escalado a grade de proteção…
Mas depois disso, tudo era um borrão.
— Mamãe? Por que você está chorando? — Gabriel perguntou, enquanto levantava a mãozinha para tocar o rosto molhado dela. — Você estava chorando até enquanto dormia, e ficava chamando pela sua mãe.
Valentina olhou para Gabriel. A preocupação nos olhos do menino era genuína, impossível de fingir.
Mas, ao mesmo tempo, havia algo na expressão dele — aquele franzir de sobrancelhas, aquele olhar — que a fazia lembrar de Cecília.
Ao pensar em Cecília, uma onda de rejeição atravessou Valentina.
Ela afastou delicadamente a mão de Gabriel, levantou o cobertor e saiu da cama.
Valentina manteve o rosto impassível. Ela não queria trocar nem uma palavra com ele.
Claro que ela queria ir embora. Mas a Villa Monteverde ficava muito longe de Paz do Monte, e no Ano Novo seria quase impossível conseguir um carro.
Além disso, quando saiu de casa, estava tão atordoada que nem levou o celular. Lívia, ao acordar e perceber que ela não estava lá, provavelmente ficaria desesperada.
— Mamãe! — Gabriel correu até ela novamente, segurando sua mão com força. — Mamãe, por favor, não vá embora. Hoje é Ano Novo! Nós sempre passamos o Ano Novo juntos, lembra?
Valentina fechou os olhos, respirando fundo para tentar controlar as emoções que estavam à flor da pele.
Quando os abriu novamente, seu olhar estava frio como gelo.
Ela puxou sua mão de volta com firmeza e olhou para Lucas.
— Se você não quer que eu desconte no garoto, mande alguém me levar para casa agora.
Lucas franziu as sobrancelhas, claramente irritado com as palavras dela.
— Sei que tenho parte da culpa pelo que aconteceu com sua mãe, mas Gabriel é só uma criança. Ele não tem nada a ver com isso. E eu também sei que você não é o tipo de pessoa que desconta sua raiva em uma criança.
— Você está enganado. — Valentina afastou Gabriel mais uma vez. — A mãe dele é Cecília. E eu já disse: se algo aconteceu com minha mãe, vou cobrar essa conta de você e dela.

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