— Eu sei exatamente o que estou fazendo. — Nicolas respondeu enquanto pressionava os dedos contra o próprio cenho como se quisesse afastar o desconforto da conversa. — Olhe, somos amigos, Valentina. Considere isso como um favor. Liberte a Suelen do contrato, e eu pago pessoalmente a multa rescisória dela.
Valentina riu com frieza, cruzando os braços, enquanto sua expressão endurecia.
— Nicolas. O que aconteceu para você agir assim? A Suelen já não tinha dado em cima de você antes, te entregado até o número do quarto de hotel, e você nem deu bola pra ela. Por que agora ela te interessa? Ah, já entendi… Depois de casado você se diverte com esses joguinhos, não é? Deve ser emocionante para um homem casado brincar de conquista.
A expressão de Nicolas se fechou, escurecendo ainda mais. Ele respondeu, com firmeza:
— Essa situação não tem nada a ver com o meu estado civil. Eu estou apenas ajudando. Não existe nada entre mim e a Suelen, pelo menos não da forma como você está insinuando.
— Ah, não existe? — Valentina rebateu, erguendo uma sobrancelha em desafio. — Então, não é uma relação de “patrocinador e amante”? Porque, francamente, apenas “ajudar” alguém com uma rescisão que vale bilhões de reais é no mínimo… Generoso demais. Ou talvez você tenha algo a esconder, uma espécie de segredo que está nas mãos dela?
Os olhos de Nicolas piscaram com um brilho de desconforto antes dele soltar um longo suspiro.
— Valentina, isso é pessoal. E, embora sejamos amigos, não sinto que devo te explicar cada detalhe da minha vida.
— É claro que não precisa. — Valentina disse, com um leve sorriso irônico nos lábios. — Somos apenas amigos, como você mesmo disse, e, como tal, o que você faz ou deixa de fazer na sua vida pessoal realmente não me diz respeito.
Valentina deu alguns passos em direção à mesa, mas antes de encerrar a conversa, virou-se de novo. Seus olhos estavam gelados, mas sua voz soava firme e profissional.
— Mas, Nicolas, você não é só um homem comum. É um dos acionistas da Estelar Produtora. E como sócio da empresa, sua conduta deveria ser coerente, especialmente em relação a questões financeiras e estratégicas. A Estelar investiu rios de dinheiro para alavancar a carreira da Suelen. Você tem ideia de quantos recursos jogamos nela nesses últimos dois anos? Agora que ela finalmente está no auge e gerando lucro, por que eu deveria concordar com essa rescisão absurda?
Nicolas manteve-se firme, sem recuar nem um pouco. Seus olhos carregavam a mesma determinação que transpareciam em sua voz ao responder:
— Eu sei que a Suelen está errada. Mas não importa. Eu decidi que vou ajudá-la.
— Disso eu já não tenho dúvidas. — Valentina suspirou, tentando manter o tom o mais neutro possível. Respirou fundo, ajustando suas emoções antes de prosseguir. — Nicolas, se você está mesmo decidido a fazer isso, então esqueça a multa rescisória. Se é tão fácil pra você ajudar, eu tenho outra solução: transfira a sua participação na Estelar e elimine qualquer vínculo que tenha com a empresa.
Nicolas assentiu lentamente, como se já esperasse por essa resposta.
— Na verdade, é isso que eu tinha em mente. Como acionista, eu reconheço que minhas ações poderiam te colocar em uma situação complicada. Então, aqui está o que farei. Quando você me vendeu os 5% das ações da Estelar por 2 bilhões na época, foi por preço de amizade pra me convencer. Agora, vou usar esses mesmos 5% para cobrir a multa rescisória da Suelen. Fazemos tudo de forma justa.
Valentina soltou uma risada irônica.
— Além das ações, você não acha que seria razoável discutir isso com sua esposa antes?
— Carolina? — Nicolas soltou uma risada seca, carregada de desprezo. — Meu casamento com Carolina não tem absolutamente nenhuma relação com isso. Fizemos contrato de separação de bens antes do casamento. Estelar? Evolut Prime? Tudo isso pertence a mim exclusivamente. Não devo satisfações sobre como gerencio meus negócios.
Valentina estreitou os olhos, claramente surpresa com aquela revelação.
Ela nunca soube que Nicolas e Carolina haviam feito um acordo de separação patrimonial antes de se casarem. Mas, pensando bem, fazia sentido. Carolina não era uma mulher qualquer; ela também tinha seu próprio capital e não era do tipo que se casava por dinheiro. Provavelmente, ela realizou o contrato apenas para manter as coisas mais simples e puras entre eles.
Mas Nicolas? Pela primeira vez, Valentina pensou que ele não merecia Carolina. Ainda bem que Carolina parecia enxergar isso agora.
Como mulher, Valentina sentia uma pontada de injustiça por Carolina. Mas também sabia que Nicolas, ao agir dessa forma, nem sequer considerava sua esposa em suas decisões.
Sabendo disso, Valentina decidiu que não havia mais razão para prolongar a conversa.
Ela respirou fundo e disse friamente:
— Vou viajar amanhã e ficarei fora por uma semana. Durante esse período, organize a transferência das ações e deixe todos os contratos preparados com a equipe jurídica. Lily será sua ponte comigo, e minha equipe de advogados acompanhará tudo. Quando eu voltar, assinaremos formalmente o contrato de rescisão.
Nicolas concordou com um gesto de cabeça.
— Está bem.
— Nesse caso, não temos mais nada a discutir. Pode se retirar.
Valentina virou-se, caminhando até a janela de vidro do escritório e parando ali, de costas para ele. Sem olhar para trás, ela deixou claro que não tinha mais interesse na conversa.
Nicolas esfregou as têmporas como se precisasse aliviar o peso do momento, virou-se e saiu.
Assim que ele fechou a porta, Valentina pegou o celular e discou o número de Carolina.
Do outro lado, Carolina estava no carro, a caminho de uma obra. Em seu colo, descansavam os primeiros rascunhos do projeto que iria revisar.

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