Às quatro da manhã, os trovões e os relâmpagos cessaram, e a chuva noturna caía de forma suave e persistente. Dentro da capela da família Pires, o som agudo dos estalos de um chicote rompeu o silêncio pesado da madrugada.
Maximus e Taís estavam sentados em seus aposentos. A idade avançada tinha enfraquecido a audição de ambos, mas, mesmo sem distinguir claramente os sons, entendiam bem o que estava acontecendo. O neto que sempre foi tratado com tanto carinho e zelo agora estava pagando pelo que fez.
Mais cedo, Samanta havia telefonado para eles. Não entrou em detalhes, mas deixou um aviso claro: nada de interferir ou tentar defender Nicolas. Ele havia feito Carolina parar no hospital, e a situação era grave.
Embora os avós não soubessem exatamente o que Nicolas tinha feito, sabiam que dessa vez não era o momento de protegê-lo. O que ele merecia agora não era conforto, mas uma lição.
E, naquela noite, Nicolas recebeu trinta e seis chicotadas.
Enquanto desferia o último golpe, Ilídio falou com a voz dura e fria como pedra:
— Essas trinta e seis chicotadas são para te lembrar de algo, Nicolas. Você tem agora trinta e seis anos. Dizem que, aos trinta e seis anos, um homem já deveria ser maduro, estável, consciente de suas responsabilidades. E você? Se estas trinta e seis chicotadas não conseguirem abrir seus olhos, então será a última vez que você se ajoelha nesta capela. Porque, se não houver arrependimento, a família Pires não vai mais reconhecer você como parte dela.
Quando terminou de falar, Ilídio soltou o chicote das mãos, girou nos calcanhares e saiu, não olhando para trás nem por um segundo.
Nicolas permanecia ajoelhado, o corpo inclinado para frente, enquanto sentia as costas latejarem com as feridas abertas. As marcas deixadas pelo chicote atravessavam sua pele, algumas partes já inchadas e cobertas de sangue coagulado. O suor descia por sua testa, mas o que mais queimava não era a dor física. Era o peso do que ele tinha feito.
Ele abaixou a cabeça, os olhos injetados de vermelho. Não era a dor que o fazia sentir aquilo. Era a culpa. Ele sabia que tinha errado. E muito.
Uma voz ecoava dentro da mente dele, repetindo como um mantra.
— Você errou, Nicolas. Você errou de verdade.
Nicolas fechou os olhos, respirando com dificuldade, enquanto seu coração estava mergulhado em um desespero silencioso.
…
A chuva finalmente parou. No céu, os primeiros raios de luz clareavam o horizonte. Pouco depois, as portas ornamentadas da capela rangeram quando foram abertas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...