Nicolas tinha as veias na testa pulsando de tensão. As feridas em suas costas, ainda abertas e sem tratamento, começavam a inflamar, deixando evidente o descaso com sua própria condição. A dor era insuportável, aguda e constante, mas ele a suportava em silêncio, preso a algo maior que o físico: sua culpa.
Mesmo assim, ele repetiu com firmeza:
— Eu e a Suelen não temos nada desse tipo. Vou esclarecer tudo, não vou deixar a Carolina virar motivo de chacota. Eu vou devolver pra ela o orgulho que ela merece.
Ilídio, no entanto, não parecia nem um pouco convencido. Ele balançou a cabeça com a fúria controlada de quem estava exausto de lutar contra o vazio.
— Agora é tarde demais para dizer essas coisas. Nicolas, mesmo se você fizer a melhor gestão de crise do mundo, esse tipo de boato gruda igual piche no meio em que a gente vive. Você já fez um estrago enorme na vida da Carolina. Não percebe isso? O que você fez a ela não tem como ser consertado.
— Pai, eu sei que tudo que você tá dizendo é verdade — Nicolas respondeu, tentando colocar convicção em suas palavras, mesmo com a voz trêmula. — Mas, mesmo assim, eu não vou desistir da Carolina. Não importa o que eu tenha que fazer, eu vou tentar dar um jeito nas coisas.
Ele fechou os olhos por um instante, respirou profundamente e declarou com firmeza:
— E eu não vou me divorciar dela.
Um sorriso seco se formou no rosto de Ilídio, cheio de ironia e cansaço.
— Não vai se divorciar? Que confiança toda é essa, Nicolas? Eu e sua mãe não vamos mais intervir por você. Carolina tem todo o nosso apoio, qualquer que seja a decisão dela. Mas você… Ouça bem, esta é a última vez que eu vou te avisar. Corte qualquer ligação com a Suelen. Imediatamente.
Nicolas apertou os lábios. Ele não respondeu nada ao pai.
Para Ilídio, o silêncio de Nicolas soou como uma confirmação. Era como se ele finalmente tivesse compreendido e aceitado a ordem. Depois de uma troca de olhares tensa, Ilídio decidiu que nada mais precisava ser dito e foi embora dali.
…
Ao meio-dia, Taís, aproveitando-se do momento em que Ilídio foi visitar Carolina no hospital, levou escondida algumas pomadas para tratar as feridas de Nicolas, junto com comida caseira.
Maximus tinha sido taxativo: ninguém deveria interceder por Nicolas desta vez. Ele tinha deixado bem claro que, apesar da gentileza com as mulheres da família, nos assuntos mais graves, quem tomava as decisões eram os homens.
Aquela não era a primeira vez que Nicolas recebia o castigo de se ajoelhar na capela, mas era a primeira vez que ele apanhava tão brutalmente.
Quando Taís entrou no pequeno espaço com as mãos trêmulas, sua visão quase escureceu ao ver as costas de Nicolas. As marcas estavam abertas, com a pele rasgada e o sangue seco contrastando com os hematomas roxos e inflamados. Ela segurou um soluço, mas os olhos marejaram imediatamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...